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“Sou uma tola por te querer” mistura autoficção e fantasia escritas por uma travesti

Livro reúne contos da escritora argentina Camila Sosa Villada que caminham por temas como amizade, família, sexo e preconceito

“Sou uma tola por te querer” mistura autoficção e fantasia escritas por uma travesti

Livro reúne contos da escritora argentina Camila Sosa Villada que caminham por temas como amizade, família, sexo e preconceito



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Quando comprei o livro “Sou uma tola por te querer” em uma passagem pela Megafauna de São Paulo, adquiri muito por influência de seu título, que eu achei fantástico, e por uma passagem de um dos contos que podia ler lido na contracapa. Só em Belo Horizonte que me dei conta de que se tratava de uma obra de uma escritora travesti. Isso me fez ter ainda mais interesse no livro.

Senti vontade de contar essa descoberta porque até então nunca tinha lido uma escritora travesti e, por causa disso, entrei nos contos de “Sou uma tola por te querer” com expectativa alta. Pense comigo: estamos diante de uma escrita de uma pessoa que nasceu em um corpo de um gênero que ela não se identifica, e teve que moldá-lo até estar em um corpo que a deixe mais confortável. Nessa jornada existem vários céus e infernos. Querendo ou não, desperta pelo menos um pouco de curiosidade.

Até metade do livro, “Sou uma tola por te querer” apresenta o que eu esperava: contos de autoficção envolvendo temas como a amizade, família e sexo. Aqui conhecemos um pouco da sua relação com seus pais, que a apoiam mesmo muitas vezes sem entender as vontades da filha; somos introduzidos a círculos de amizade que existem no “beco”, membros de grupos minoritários que se apoiam; e, sem surpresas, também entramos no campo da prostituição, mas sem muitos coitadismos, com personagens que, apesar de estarem em uma posição vulnerável, confessam gostar um pouco daquilo que fazem.

Já na segunda metade, sobretudo nos últimos dois contos, “Sou uma tola por te querer” dá uma guinada que eu não esperava. Se nos primeiros contos a autora tem uma escrita hiper-realista, agora ela abre espaço para a fantasia, contando sobre o preconceito que travestis, sobretudo as garotas de programa, sofrem, e narrando até um caminhar em direção a crucificação e ao inferno desses seres que ousaram viver na forma que supostamente deveriam.

A mudança de estilo literário foi muito brusca para mim e o brilhantismo de Camila Sosa Villada parece cair quando entramos na fantasia, pois os contos soam forçados, não originais. Senti um alívio quando finalmente os terminei de ler. Definitivamente não é o estilo que eu mais aprecio.

“Sou uma tola por te querer” não é uma leitura imperdível no seu todo, pois possui contos muito bons e contos que eu não apreciei tanto. Mas talvez a curiosidade faça com que você se aventure e dê uma chance ao livro.


“Sou uma tola por te querer”, Camila Sosa Villada

Editora Tusquets

Avaliação: 3 de 5.

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