Para quem se embriagou na prosa hipnotizante de “O que te pertence”, a expectativa era alta para o novo livro “Pureza” de Garth Greenwell, onde o escritor nos conduz por uma Sófia exótica e rica em contrastes.
No início, somos apresentados ao protagonista, o mesmo professor americano de “O que te pertence”, imerso na efervescente vida da Bulgária. A trama se desenrola entre as teias do relacionamento com os alunos, as fugas através do sexo após uma desilusão amorosa e as tensões sociopolíticas que permeiam a narrativa. Em sua jornada, Greenwell tenta costurar uma tapeçaria de experiências que, por vezes, se desfaz nos próprios fios da trama.
A ousadia de Greenwell se destaca na segunda parte do livro, “Amando R.”, onde a escrita detalhada atinge seu auge, revelando a força que o consagrou anteriormente. As descrições exuberantes, carregadas de emoção, nos envolvem no relacionamento amoroso do protagonista, mas é quando ele tenta estender essa riqueza ao panorama político que a obra vacila. Os jogos sexuais, por sua vez, demoram a engrenar, oscilando entre o erótico e o risco de se tornar asséptico.
A política, quando se torna a base das relações com R., dá ao livro uma nova dimensão. Greenwell introduz fissuras na tensão superficial, como pequenos maremotos que se perpetuam em ciclos ritmados. A narrativa oscila entre momentos intensos, como a primeira vez em que transou sem camisinha, e reflexões profundas sobre o amor e a entrega.
A variação na forma, com capítulos alternando entre blocos de parágrafos e parágrafos longos, reflete a inconstância do protagonista, cativo de um homem que sempre atrasa, sempre desmarca.
Assim, “Pureza” é uma jornada literária que oscila entre a sublime exploração do amor e as armadilhas de uma trama que se desfaz em sua própria complexidade, deixando-nos com a sensação de que a promessa inicial se perdeu nas correntezas da narrativa.
“Pureza”, Garth Greenwell





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