Não dá para dizer ao certo se “Felizes os felizes” é um livro de contos ou um romance. Por um lado, possui vinte capítulos independentes entre si; por outro, os personagens desses capítulos estão todos entrelaçados. De qualquer forma, é um livro ótimo.
Yasmina Reza já disse em entrevista ao The Guardian que uma das suas maiores preocupações ao escrever um livro é dar um ritmo à história. E ela consegue. Ganhadora de dois TONYs, o “Oscar do teatro”, Reza dá ritmo de uma peça ao seu romance e rapidamente consegue capturar o leitor.

Cada capítulo de “Felizes os felizes” é narrado por um personagem e a história é sobre situações cotidianas mais banais, por vezes muito engraçadas: um casal que briga no supermercado porque o marido comprou o tipo de queijo errado; uma conversa na sala de espera de um consultório oncológico em que uma paciente idosa confessa não acreditar em quimioterapia, mas diz fazer para as pessoas não encherem o seu saco; e o desabafo de uma mulher que possui um filho com um grau de esquizofrenia que faz com que ele acredite ser a Céline Dion.
Conforme os capítulos vão passando, o leitor consegue fazer associações de que personagens de um capítulo por vezes são amigos, filhos ou amantes de personagens de capítulos anteriores.
São muitos personagens, o que poderia ser um desafio para a autora conseguir dar vozes distintas a todos eles, mas Yasmina Reza consegue criar uma personalidade para cada um e você de fato sente a mudança quando está lendo.
“Felizes os felizes” não se trata de um livro com grandes ambições que tem como objetivo provocar algum tipo de discussão, mas ele é legal demais, e às vezes tudo o que precisamos é de um livro propositalmente leve, extremamente bem escrito para ser isso.
“Felizes os felizes”, Yasmina Reza
Editora Âyiné








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