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Filme: “Martin – O Jovem Vampiro” (1977), George A. Romero

George A. Romero, célebre por redefinir o horror com seus zumbis, mergulha em um território igualmente desolador e perturbador com ‘Martin – O Jovem Vampiro’, uma obra que subverte as expectativas sobre a figura do predador noturno. O filme apresenta Martin, um jovem taciturno e desajustado, que chega a Pittsburgh para viver com seu primo…


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George A. Romero, célebre por redefinir o horror com seus zumbis, mergulha em um território igualmente desolador e perturbador com ‘Martin – O Jovem Vampiro’, uma obra que subverte as expectativas sobre a figura do predador noturno. O filme apresenta Martin, um jovem taciturno e desajustado, que chega a Pittsburgh para viver com seu primo mais velho, Tateh Cuda. Martin se autoidentifica como um vampiro, mas sua sede por sangue não é saciada por mordidas românticas no pescoço; em vez disso, ele utiliza seringas e lâminas de barbear em suas vítimas, uma abordagem brutalmente pragmática e desprovida de qualquer misticismo.

A narrativa se desenrola no ambiente urbano e gélido da Pensilvânia, onde a violência é uma faceta intrínseca da paisagem, quase tão banal quanto as transmissões de rádio ou as conversas telefônicas de Martin com um programa noturno. Cuda, um homem de fé antiga e superstições profundas, vê em Martin uma criatura das trevas que precisa ser exorcizada ou controlada através de rituais e alho. Esse conflito central entre a crença arcaica e a patologia moderna é o cerne do filme, que habilmente mantém a ambiguidade sobre a verdadeira natureza de Martin: seria ele um ser sobrenatural amaldiçoado ou um indivíduo profundamente perturbado, talvez um sociopata que canaliza suas compulsões através de um mito?

Romero desmantela o glamour associado ao vampirismo, apresentando um monstro do cotidiano, cujas ações são mais parecidas com as de um viciado ou um serial killer do que com as de um ser imortal sedutor. Acompanhamos Martin em suas rondas noturnas, em suas tentativas desajeitadas de conexão humana e na constante sombra da condenação de Cuda. A obra explora a solidão e a alienação, com Martin flutuando pela vida sem propósito aparente, suas caçadas sendo meros atos mecânicos para satisfazer uma necessidade primordial. O filme serve como uma meditação sobre a natureza da compulsão humana e a forma como a realidade pode ser moldada por crenças profundamente arraigadas, seja o folclore milenar ou a própria psique fragmentada. Ele questiona onde termina a doença e começa a crença, e como o mito pode ser usado para dar sentido, ou desculpas, a comportamentos inomináveis. ‘Martin – O Jovem Vampiro’ permanece uma peça incômoda e fascinante do cinema de George A. Romero, uma exploração crua da obscuridade humana, despojada de qualquer floreio gótico.


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