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Filme: “Les cousins” (1959), Claude Chabrol

Em “Les Cousins”, Claude Chabrol tece uma narrativa sutil sobre a colisão entre dois primos, Charles e Paul, em Paris. Charles, o provinciano aplicado, chega à capital com ambições intelectuais e uma sede por conhecimento, contrastando fortemente com Paul, o dândi hedonista que personifica a boemia parisiense. A morada de Paul, um apartamento amplo e…


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Em “Les Cousins”, Claude Chabrol tece uma narrativa sutil sobre a colisão entre dois primos, Charles e Paul, em Paris. Charles, o provinciano aplicado, chega à capital com ambições intelectuais e uma sede por conhecimento, contrastando fortemente com Paul, o dândi hedonista que personifica a boemia parisiense. A morada de Paul, um apartamento amplo e decadente, torna-se o palco para este estudo de contrastes.

A câmera de Chabrol observa, quase com distanciamento clínico, a lenta corrosão das ambições de Charles. Ele se dedica aos estudos, enquanto Paul se entrega a festas, conquistas fáceis e uma vida de aparente despreocupação. A dinâmica entre os dois se intensifica quando ambos se apaixonam por Florence, uma jovem enigmática cuja atenção se torna um campo de batalha silencioso. O filme, longe de ser um melodrama, explora a banalidade do mal, a forma como a indiferença e o egoísmo corroem os ideais e destroem a inocência.

Chabrol, mestre da Nouvelle Vague, utiliza a mise-en-scène para sublinhar o crescente abismo entre os primos. A arquitetura parisiense, ora imponente, ora claustrofóbica, reflete a jornada de Charles do idealismo à desilusão. O vazio existencial que permeia a vida de Paul, aparentemente preenchida por prazeres efêmeros, revela uma crítica à futilidade da busca incessante por satisfação imediata. A tragédia, quando inevitável, surge não como um clímax dramático, mas como uma consequência lógica de escolhas e omissões, uma reflexão sobre a responsabilidade individual em um mundo onde os valores se tornaram fluidos e a moral, maleável. A sombra do niilismo paira sobre “Les Cousins”, um retrato amargo da juventude burguesa francesa e da perda da inocência.


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