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Filme: “Possuídos” (2006), William Friedkin

“Possuídos”, a obra de William Friedkin que muitos conhecem como “O Exorcista”, emerge não como um espetáculo de horror barato, mas como um estudo frio e perturbador da fé confrontada com o inexplicável. Washington D.C. serve de palco para a lenta e gradual desintegração de uma família, liderada pela atriz Chris MacNeil, cuja filha, Regan,…


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“Possuídos”, a obra de William Friedkin que muitos conhecem como “O Exorcista”, emerge não como um espetáculo de horror barato, mas como um estudo frio e perturbador da fé confrontada com o inexplicável. Washington D.C. serve de palco para a lenta e gradual desintegração de uma família, liderada pela atriz Chris MacNeil, cuja filha, Regan, manifesta comportamentos progressivamente mais violentos e bizarros. O que inicialmente se atribui a distúrbios psicológicos juvenis, rapidamente escala para um território onde a medicina e a ciência se mostram impotentes.

A trama se desenrola com a chegada de dois padres jesuítas, Damien Karras, atormentado por dúvidas sobre sua fé e pela doença de sua mãe, e o experiente exorcista Lankester Merrin. A narrativa, longe de se restringir a sustos fáceis, mergulha na psique desses homens, explorando suas próprias fragilidades e conflitos internos enquanto se preparam para confrontar uma força que desafia sua compreensão do mundo. O que se segue é um confronto brutal e visceral, onde o sagrado e o profano colidem de maneira implacável.

O filme é menos sobre a possessão em si e mais sobre a crise existencial que ela desencadeia. A fé, outrora um porto seguro, é questionada e redefinida diante de uma realidade que escapa ao controle humano. O conceito de “pharmakon”, originário da filosofia grega, ressoa na obra: a possessão, tal como o veneno, pode ser tanto a causa da doença quanto o agente da cura, dependendo da dose e do contexto. A fé, nesse sentido, se torna o pharmakon, capaz tanto de destruir quanto de salvar, tanto para os padres quanto para a própria Regan, no limiar entre a sanidade e a loucura. A obra de Friedkin permanece, décadas depois, um estudo complexo sobre a natureza da crença e os limites da razão.


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