Em “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, David Yates nos transporta para a efervescente Nova York de 1926, uma década de transformações profundas, onde a magia se mantém clandestina, mas sempre à beira da revelação. No centro da trama está Newt Scamander, um magizoologista britânico de índole reservada e um tanto desajeitada, que desembarca na metrópole com uma misteriosa maleta que guarda um ecossistema inteiro de criaturas mágicas. A partir de um incidente corriqueiro — a fuga de algumas dessas espécies de sua maleta dimensional —, Newt é inadvertidamente arrastado para um cenário de tensões crescentes entre a comunidade bruxa americana e os No-Majs, termo local para os não-mágicos, que vivem alheios ao mundo oculto.
A história se desenrola com a ajuda de figuras peculiares que cruzam o caminho de Newt: a ex-aurora Tina Goldstein, em busca de redenção profissional; sua irmã Queenie, uma legilimente de coração aberto; e Jacob Kowalski, um No-Maj padeiro com aspirações, que se torna uma testemunha ocular e participante involuntário das maravilhas e perigos que a magia pode oferecer. A busca por suas criaturas perdidas é entrelaçada com uma ameaça maior que paira sobre a cidade: ataques inexplicáveis, atribuídos a uma força obscura e destrutiva, colocam em risco a frágil paz entre os dois mundos e elevam o pânico dentro do Congresso Mágico dos EUA (MACUSA).
O filme, roteirizado por J.K. Rowling, mergulha na complexidade de um universo mágico em um período crucial, antes da ascensão plena de um famoso bruxo das trevas, cuja presença já começa a ser sentida em sussurros e ações sombrias. Ele explora como o medo do desconhecido, e a forma como a sociedade lida com o que é diferente ou incompreensível, pode gerar consequências devastadoras. Essa dinâmica se manifesta na paranoia dos bruxos em relação aos No-Majs, e na intolerância dos próprios No-Majs liderados por grupos que caçam bruxas. A narrativa oferece uma lente para observar a fragilidade das aparências e a dificuldade em aceitar aquilo que escapa à percepção comum, um conceito que reverbera nas fundações de qualquer sociedade que reage ao “outro”.
Visualmente impressionante, a produção de David Yates estabelece um novo e rico capítulo no lore da bruxaria, apresentando uma Nova York da década de 1920 com um charme único e criaturas fantásticas que são um deleite para os olhos e para a imaginação. A forma como os segredos do mundo mágico são guardados, e a iminência de sua exposição, servem como um pano de fundo instigante para as aventuras de Newt e sua equipe. Mais do que uma simples caça a animais escapados, a trama evolui para uma investigação sobre fanatismo, preconceito e a busca por um lugar no mundo para aqueles que são, de alguma forma, marginalizados, seja por sua natureza ou por sua paixão. O filme convence ao expandir horizontes já conhecidos, adicionando camadas de profundidade e um elenco de personagens que prometem manter o público engajado nas futuras iterações da franquia.




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