‘T,O,U,C,H,I,N,G’, a obra de 1968 de Paul Sharits, não busca narrativas convencionais. Longe de construir personagens ou tramas, o filme existe como uma dissecação da própria materialidade cinematográfica. Sharits esmiúça o fotograma, a cor, a luz, o som, reduzindo a experiência do espectador a um bombardeio sensorial controlado. A tela pulsa com explosões de vermelho, branco e preto, alternando-se em frequências que desafiam a percepção. O som, igualmente fragmentado, acompanha as imagens em staccato, criando uma cacofonia deliberada.
O título, carregado de potencial sugestivo, contrasta com a frieza analítica da execução. A promessa de toque, de conexão física ou emocional, é frustrada pela impessoalidade da abstração. ‘T,O,U,C,H,I,N,G’ não oferece conforto ou catarse; em vez disso, provoca desconforto e questionamento. Sharits força o espectador a confrontar a ilusão do cinema, a desconstruir a magia da imagem em movimento e a reconhecer os seus componentes básicos.
A estrutura fragmentada e repetitiva do filme evoca a filosofia da desconstrução. Tal como Jacques Derrida argumentava que a linguagem é inerentemente instável e auto-contraditória, Sharits demonstra que o cinema, mesmo em sua forma mais elementar, é um constructo artificial sujeito a manipulação e interpretação. A aparente aleatoriedade da sequência de imagens e sons desafia qualquer tentativa de encontrar um significado singular ou uma narrativa linear.
O filme, portanto, reside em sua capacidade de perturbar as expectativas do público. Não é uma experiência passiva, mas um exercício ativo de percepção e interpretação. ‘T,O,U,C,H,I,N,G’ persiste como um marco do cinema experimental, uma declaração audaciosa sobre a natureza da representação e o poder do artista de moldar a experiência sensorial do espectador. Um desafio para aqueles que buscam entretenimento fácil, e um convite àqueles que procuram uma imersão radical no cerne da linguagem cinematográfica.




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