A adolescência em uma pequena e remota vila norueguesa, onde o tédio e o frio parecem mais intensos do que em qualquer outro lugar do mundo, é o palco onde Alma, a protagonista de “Turn Me On, Goddammit”, navega pelas turbulentas águas da puberdade. O despertar sexual, turbulento e imprevisível, a domina por completo. Seus hormônios em ebulição a colocam em situações constrangedoras e hilárias, transformando cada interação social em um potencial campo minado. O filme acompanha o despertar da sexualidade feminina de forma crua, honesta e, acima de tudo, engraçada, sem cair em clichês ou sentimentalismos baratos.
O humor ácido e peculiar da diretora Jannicke Systad Jacobsen, pontuado por momentos de genuína vulnerabilidade, garante que a jornada de Alma seja tanto universal quanto singular. A rotina da pequena cidade serve de contraponto para a intensidade dos sentimentos da protagonista, criando um contraste que potencializa o impacto da narrativa. O filme explora a dificuldade de comunicar desejos em uma sociedade onde a repressão sexual ainda é uma realidade, mesmo que disfarçada sob a capa da modernidade escandinava.
O despertar do desejo, então, não é apenas uma questão individual, mas também social. Alma precisa lidar com o olhar do outro, com as expectativas da família e dos amigos, e com os próprios medos e inseguranças. A descoberta do prazer se torna, assim, uma forma de resistência, uma maneira de afirmar sua identidade em um mundo que tenta moldá-la. O filme, sem fazer alarde, evoca a filosofia de Sartre ao mostrar que a liberdade individual reside na capacidade de fazer escolhas, mesmo quando essas escolhas confrontam as normas estabelecidas. A experiência de Alma, nesse sentido, ecoa a angústia existencial de quem se confronta com a responsabilidade de ser livre. A comédia surge precisamente desse choque entre a liberdade desejada e as amarras sociais.
“Turn Me On, Goddammit” é um filme sobre amadurecimento, sobre a busca pela autoaceitação e sobre a coragem de ser quem se é, mesmo que isso signifique desafiar as convenções. Uma comédia inteligente e sensível que, com leveza e irreverência, nos faz refletir sobre as complexidades da sexualidade humana e sobre a importância de celebrá-la em toda a sua diversidade.




Deixe uma resposta