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Filme: "Setembro" (1987), Woody Allen

Filme: “Setembro” (1987), Woody Allen

Setembro (1987), de Woody Allen, é um drama intimista que revela as tensões e a busca frustrada por amor e conexão de seis personagens em um fim de verão melancólico.


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‘Setembro’, o filme de 1987 dirigido por Woody Allen, afasta-se notavelmente das comédias neuróticas que definem grande parte de sua obra para mergulhar em um drama de câmara melancólico e intimista. A ação se desenrola em uma casa de campo em Vermont, durante um fim de semana crepuscular no término do verão, época em que a natureza já acena com o outono e a melancolia se instala. É um palco apertado para as tensões crescentes entre seis personagens que, de uma forma ou de outra, buscam amor e conexão, mas parecem destinados a tropeçar em seus próprios desejos e incompreensões.

No centro da narrativa está Lane, interpretada por Mia Farrow, uma mulher emocionalmente fragilizada que se recupera de um colapso, vivendo com sua mãe, a extravagante ex-atriz Diane (Elaine Stritch), e seu padrasto, o benevolente Lloyd (Denholm Elliott). A chegada de Peter (Sam Waterston), um escritor em dificuldades, e Stephanie (Dianne Wiest), a melhor amiga de Lane, uma mulher casada e ponderada, intensifica a teia de sentimentos não correspondidos. Peter nutre uma afeição por Lane, mas encontra uma afinidade intelectual e emocional intrigante com Stephanie. Enquanto isso, o vizinho Howard (Jack Warden), um homem mais velho, declara-se abertamente a Diane, que lida com revelações do passado.

O roteiro de Allen, que aqui funciona quase como uma peça teatral, habilmente desenha os contornos da frustração e da saudade. Cada personagem, com suas esperanças e desilusões, parece orbitar em torno de um desejo que raramente encontra eco ou reciprocidade. A atmosfera é carregada de expectativas silenciosas e de uma inevitabilidade triste, como se as folhas que caem lá fora refletissem as chances que escorregam entre os dedos. A película examina a intrincada dificuldade humana de comunicação, onde as palavras muitas vezes mascaram mais do que revelam, e os gestos carregam pesos que nem sempre são compreendidos.

O filme Setembro mergulha na essência do desejo humano, revelando como este se manifesta de maneira complexa e nem sempre linear. Muitas vezes, o que se busca está tão próximo quanto inacessível, uma ironia cruel da condição de querer. Woody Allen, com sua direção austera e focada nas performances, explora o crepúsculo das relações, o envelhecimento e a persistente busca por um sentido, ou talvez apenas por um conforto, em um mundo de incertezas. A luz outonal que permeia as cenas sublinha o tom pensativo, quase um lamento pela passagem do tempo e pelas oportunidades perdidas. É uma obra que persiste na memória não pela grandiosidade de seu enredo, mas pela honestidade com que retrata a fragilidade das aspirações e a melancolia de se viver em um ciclo de anseios e desapontamentos.


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