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Filme: "The Masseurs and a Woman" (1938), Hiroshi Shimizu

Filme: “The Masseurs and a Woman” (1938), Hiroshi Shimizu

A rotina de dois massagistas cegos em uma pousada isolada é sutilmente alterada pela chegada de uma mulher de Tóquio, revelando desejos silenciosos e a transitoriedade das conexões humanas.


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Numa estrada sinuosa pelas montanhas de Izu, dois massagistas cegos, Toku e Fuku, caminham com a familiaridade de quem conhece o mundo mais pelo som dos próprios passos do que pela visão. A sua rotina itinerante, marcada pelo ritmo da natureza e pela busca de clientes em pousadas remotas, constitui o motor de uma narrativa que se move com a mesma cadência da paisagem. O diretor Hiroshi Shimizu estabelece de imediato um universo onde a percepção sensorial transcende o visual, e a comunicação humana acontece em gestos sutis e tons de voz. A dupla, com suas personalidades contrastantes, representa um microcosmo de camaradagem e dependência mútua, um equilíbrio estável prestes a ser testado.

A perturbação chega na forma de uma mulher misteriosa de Tóquio, Michiho, que parece fugir de algo que deixou para trás na cidade grande. A sua presença introduz uma dissonância na tranquilidade rural. Para os outros hóspedes da pousada, ela é um objeto de curiosidade e desconfiança. Para os massagistas, especialmente para o mais jovem, Toku, ela é uma presença sentida, uma voz e um perfume que despertam uma atração silenciosa. A dinâmica do grupo muda sutilmente; a chegada dela não provoca explosões dramáticas, mas sim uma reconfiguração silenciosa das relações, expondo vulnerabilidades e desejos não ditos. O enredo se desenrola menos através de eventos e mais através da observação atenta dessas interações delicadas.

Shimizu constrói o filme com uma paciência notável, utilizando longos planos e o cenário natural não como um mero pano de fundo, mas como um participante ativo na história. As montanhas, as estradas de terra e as termas quentes ditam o ritmo da vida e das emoções. A condição dos massagistas é fundamental para a abordagem do filme: a sua cegueira os torna observadores mais aguçados das verdades que não podem ser vistas. Eles percebem a tensão na voz de um cliente, a hesitação num passo, a tristeza por trás de uma fachada de normalidade. Esta sensibilidade particular os coloca numa posição única para compreender a complexidade de Michiho, para além dos julgamentos superficiais dos outros personagens.

Mais do que uma história sobre um encontro casual, a obra é um estudo sobre a transitoriedade e a natureza efêmera das conexões humanas. Os personagens cruzam caminhos por um breve período, partilham um espaço e tempo limitados, e depois seguem as suas jornadas separadas. Esta sensação de uma beleza melancólica, de apreciar um momento sabendo que ele é finito, ecoa o conceito japonês de mono no aware, a consciência da impermanência das coisas. Shimizu não procura oferecer resoluções fáceis ou destinos selados. Ele captura um fragmento de vida, um interlúdio numa estrada de montanha onde diferentes mundos colidem suavemente antes de se afastarem novamente, deixando uma impressão duradoura, mas intangível, como o som da flauta de um massagista que se desvanece na distância.


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