Nadine, uma adolescente navegando pelas turbulentas águas do ensino médio, personifica a angústia existencial com uma pitada de sarcasmo. Sua bússola moral parece constantemente desorientada, guiada por uma mistura explosiva de insegurança e um desejo voraz por aceitação. A morte repentina do pai, evento catalisador em sua já complexa vida, a lança em uma espiral de isolamento autoimposto, acentuada pela inveja corrosiva em relação ao seu irmão mais velho, o popular e aparentemente perfeito Darian.
O filme de Kelly Fremon não se propõe a glorificar o sofrimento adolescente, mas sim a expor a vulnerabilidade crua por trás da fachada da rebeldia. A amizade improvável com Krista, sua melhor amiga, é posta à prova quando esta engata um romance justamente com Darian. A traição percebida por Nadine intensifica seu senso de deslocamento, levando-a a buscar validação em lugares equivocados, como um crush platônico em um garoto mais velho e distante.
Erwin, um colega de classe com inclinações artísticas e um humor peculiar, surge como um contraponto à auto-indulgência de Nadine. Sua presença, inicialmente incômoda, oferece momentos de genuína conexão e um vislumbre de esperança em meio ao caos. A dinâmica entre eles explora a busca por identidade na adolescência, onde o desejo de ser compreendido muitas vezes se manifesta em comportamentos autodestrutivos.
‘The Edge of Seventeen’ não busca entregar lições de moral prontas ou soluções simplistas. Ao invés disso, mergulha na complexidade das relações humanas, na dificuldade de se encontrar um lugar no mundo e na importância de aceitar a imperfeição, tanto em si mesmo quanto nos outros. O filme consegue capturar a essência da adolescência, período marcado por dúvidas, descobertas e a incessante busca por um sentido em meio ao absurdo da existência. Como nos ensinou Albert Camus, é preciso imaginar Sísifo feliz, e talvez, a jornada de Nadine seja um eco distante dessa busca incessante por significado em um mundo aparentemente indiferente.




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