Cinema Novo, de Eryk Rocha, é uma imersão visceral no movimento cinematográfico brasileiro que sacudiu o país nas décadas de 1960 e 1970. Longe de uma simples retrospectiva, o filme se apresenta como um ensaio apaixonado, um mergulho nas ideias e angústias que impulsionaram cineastas como Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Ruy Guerra a reinventar a linguagem cinematográfica e a colocar em foco a realidade social brasileira.
Rocha tece uma narrativa multifacetada, combinando trechos de filmes clássicos do Cinema Novo com depoimentos de seus protagonistas. As imagens originais ganham nova vida, ressignificadas pelo contexto histórico e pelas reflexões dos próprios cineastas, que compartilham suas motivações, desafios e contradições. Mais do que uma história linear, o filme oferece um mosaico de perspectivas, revelando a complexidade e a heterogeneidade do movimento.
O filme evita a hagiografia e não se furta a apresentar as tensões internas do Cinema Novo, os debates ideológicos e estéticos que marcaram sua trajetória. A câmera de Eryk Rocha captura a paixão e a intensidade dos seus entrevistados, mas também revela suas dúvidas e incertezas. O resultado é um retrato honesto e matizado de um movimento que, mesmo com suas contradições, deixou uma marca indelével na história do cinema brasileiro.
Ao revisitar o Cinema Novo, Eryk Rocha nos convida a refletir sobre o papel do cinema como ferramenta de transformação social e sobre a importância de se reinventar a linguagem cinematográfica para dar voz aos marginalizados. O filme ecoa o pensamento de Walter Benjamin sobre a necessidade de “escovar a história a contrapelo”, questionando as narrativas hegemônicas e buscando novas formas de representação. Cinema Novo é um filme urgente e relevante, que nos lembra da importância de manter viva a chama da criatividade e do engajamento social.




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