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Filme: "Tehran Taboo" (2017), Ali Soozandeh

Filme: “Tehran Taboo” (2017), Ali Soozandeh

Tehran Taboo expõe a vida em Teerão, onde leis morais criam transgressões. A animação intensa narra a busca por liberdade de mulheres e um músico em um Irã opressivo.


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“Tehran Taboo”, a estreia impactante de Ali Soozandeh na animação, oferece um retrato multifacetado da vida em Teerão, onde as aparências enganam e as leis morais rígidas criam um submundo de transgressões silenciosas. Através da técnica de rotoscopia, que combina filmagens reais com animação, Soozandeh confere um realismo cru e vibrante à narrativa, expondo as complexidades da sociedade iraniana contemporânea. A animação, longe de suavizar a realidade, intensifica a sensação de claustrofobia e vigilância constante que permeia a vida das personagens.

A trama intercala as histórias de três mulheres e um jovem músico, cujos destinos se cruzam em busca de liberdade e autenticidade em um ambiente opressivo. Pari, uma jovem mãe que se prostitui para sustentar o filho após o marido ser preso, busca incessantemente o divórcio para garantir a custódia da criança. Sua luta se entrelaça com a de Donya, uma jovem grávida desesperada para restaurar sua virgindade após um encontro sexual forçado, condição imposta pela família do noivo para que o casamento prossiga. Babak, um jovem músico idealista, se envolve com Donya e busca, em meio à burocracia e corrupção, uma forma de ajudá-la. Cada personagem enfrenta dilemas morais complexos, onde as escolhas são limitadas e as consequências podem ser devastadoras.

A cidade de Teerão se torna quase uma personagem em si, um cenário labiríntico onde a moralidade oficial colide com as necessidades humanas básicas. A animação permite a Soozandeh explorar a cidade de forma visualmente inovadora, capturando a beleza e a decadência, a modernidade e o tradicionalismo que coexistem em um espaço onde a hipocrisia é uma forma de sobrevivência. O filme não busca justificar ou condenar, mas sim apresentar uma perspectiva nuanceda sobre as contradições da vida moderna no Irã.

“Tehran Taboo” pode ser interpretado à luz do conceito filosófico da “dissimulação”, explorado por pensadores como Michel Foucault. A dissimulação, nesse contexto, refere-se à prática de ocultar os próprios pensamentos e sentimentos para navegar em um sistema de poder opressivo. As personagens de Soozandeh são mestres na arte da dissimulação, aprendendo a usar as regras do jogo para sobreviver, mesmo que isso signifique comprometer seus valores. A animação serve como uma camada adicional de dissimulação, permitindo a Soozandeh abordar temas delicados sem enfrentar a censura direta, ao mesmo tempo em que revela as verdades incômodas que se escondem sob a superfície. A película não entrega respostas simplistas, mas nos força a confrontar a complexidade da condição humana em um contexto político e social desafiador.


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