Algo perturbador e necessário emerge quando o desejo é representado sem filtro. Não o desejo domesticado que aparece em campanhas de moda ou séries de streaming, aquele que foi higienizado o suficiente para caber dentro de um algoritmo, mas o desejo real: bagunçado, urgente, às vezes inconveniente. É exatamente isso que une os trabalhos reunidos em My Romantic Ideal, exposição coletiva com curadoria do artista e ativista russo exilado Slava Mogutin, que reúne fotógrafos de gerações e geografias distintas em torno de uma premissa simples e radical: o romance queer como forma de subversão. Nomes como Bruce LaBruce, Matt Lambert, Stanley Stellar e Quil Lemons dividem espaço com vozes emergentes, e o resultado é menos uma exposição de arte e mais um manifesto visual, um arquivo vivo de corpos que insistem em existir nos próprios termos. O que chama atenção não é apenas a qualidade individual de cada trabalho, mas a coerência do conjunto: uma afirmação coletiva de que retratar o desejo com honestidade, especialmente em tempos de retrocesso, é em si um ato de resistência. Mogutin descreve a mostra como uma resposta à beleza diante da censura, e é difícil não sentir o peso disso ao percorrer as imagens, cada uma recusando a lógica da invisibilidade.








































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