Em 2002, numa mesa de bar em Amsterdam, nasceu a ideia de fazer uma versão lésbica da BUTT. Meio como piada, meio como provocação, Jessica Gysel, Jop van Bennekom e Gert Jonkers esboçaram o que viria a ser a KUTT, um dos zines mais raros e cobiçados da história da mídia queer. Em apenas três edições publicadas entre 2002 e 2003, a revista reuniu Chloë Sevigny fotografada por Ryan McGinley, séries de Collier Schorr e Viviane Sassen, textos de Eileen Myles e performances de Peaches, tudo em páginas lilás com uma estética direta, não encenada e deliberadamente fora dos padrões da imprensa mainstream. O nome era uma reapropriação da palavra holandesa para cona, e a proposta era igualmente frontal: mostrar vidas lésbicas comuns, seus amores, suas festas, seu sexo, sem glamourizar nem pedir licença. Vinte e quatro anos depois, a editora IDEA relança as três edições em volume único, e o que surpreende não é a nostalgia, mas a atualidade. A honestidade que tornava a KUTT radical nos anos 2000 segue sendo um ato político.


























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