Cultivando arte e cultura insurgentes


Seja fantasiado ou fetichizado, o corpo feminino não pode ser detido

Trinta anos de trabalho, uma retrospectiva em Paris e uma pergunta que nunca mudou: o que acontece quando uma mulher decide o que é belo?


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Camille Vivier cresceu no 14º arrondissement de Paris, filha de um fotógrafo e de uma stylist dos anos 80, dividindo o quarto com uma irmã que tinha pôsteres de Marilyn Monroe na parede e velas de vodu na cômoda. Essa mistura, popular e cult, doméstico e estranho, atravessa toda a sua obra e agora ganha uma retrospectiva de peso na Maison Européenne de la Photographie, em cartaz até setembro de 2026. A exposição reúne décadas de trabalho pessoal e comercial em que fantasia, fetichismo, mitologia e horror convivem sem hierarquia. Suas protagonistas, musculosas, sensuais, às vezes monstruosas, nunca pedem licença para ocupar o espaço. Entre as obras em exibição estão retratos de Sophie, modelo de fisiculturismo fotografada com uma atenção à luz que remete a Mapplethorpe, e de Deborah, a britâ­nica que Vivier colocou a posar no divã da casa de Freud: uma mulher forte num interior empoeirado e masculino, reluzindo como uma super-heroína. Também estão presentes fotografias de uma escultura no jardim de HR Giger, polaroides de partes do corpo capturadas na tela de uma TV vintage e autorretratos que ela faz sozinha em casa, com música, diferentes figurinos e o iPhone. Vivier diz que não se interessa pela trama dos filmes de horror, só pela atmosfera, a psicologia, a luz dos frames. O mesmo vale para a moda: nunca foi sobre embelezamento, foi sempre sobre ilusão e transformação.


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