Atribuo o meu ceticismo em grande parte pelas obras que fui consumindo com o tempo. Sinto que o mundo vai deixando de ser tão óbvio para nós que investimos um pouco do nosso tempo para ler livros e assistir a filmes e posteriormente realizar uma análise filosófica sobre eles. A capacidade crítica vai aumentando, e tendemos a esperar um pouco mais antes de seguir com as mesmas opiniões da manada que dispara na nossa frente.
Desde que estourou o caso Marcius Melhem, no final de 2020, acusado de assédio moral e sexual por 8 mulheres, me mantive apenas como um indivíduo curioso sobre o acontecimento, lendo e analisando o que era divulgado pela mídia. Sem histeria ou ataques, pois afinal até então só havia pronunciamento delas, que apenas mantinham as acusações na mídia, sem judicializar o caso, e eu, confesso a vocês, não acho que alguém é mais virtuoso apenas por ser mulher, gay ou negro. Faço parte de um desses grupos de representatividade minoritária, tenho tranquilidade para falar.
As acusações ganharam muita repercussão, afinal é um caso que envolve pessoas famosas, de atrizes e de um diretor da Globo. Mas se por um lado os grandes veículos davam muito espaço para as acusadores, em nenhum momento se colocaram para ouvir Marcius Melhem.
É curioso porque em qualquer caso de acusação, a pessoa que acusa deve provar que o acusado realmente cometeu um crime. Só que em caso de assédio sexual, não. Pelo menos do ponto de vista da sociedade, se as mulheres acusaram Melhem de assédio sexual, então é porque ele assediou mesmo, e, caso você assuma uma posição de mínima dúvida, é porque está do lado do assediador.
Claro que em um caso de assédio sexual é muito difícil existir uma prova material, mas espera-se que pelo menos os depoimentos, das acusadoras e das testemunhas, façam sentido para levar a crer que o acusado é um culpado. Mas não é o caso.
Depois que decidiu(e teve espaço para) falar, Marcius Melhem surpreendente conseguiu reunir provas absolutamente concretas de que as suas acusadoras estão mentindo. Por meio do seu canal do YouTube, Melhem vem exibindo prints, fotos, vídeos e áudios em lotes industriais para provar a sua inocência, mostrando que as relações que existiram foram consensuais.
Que tipo de pessoa que se diz abusada manda elogios ao pênis do abusador no dia seguinte do suposto crime? Que tipo de pessoa que se diz abusada em um dia, convida o suposto abusador para viajar na semana seguinte? Que tipo de pessoa que foi abusada leva a melhor amiga para transar com o seu abusador?
São várias situações sem sentido que colocam em cheque o depoimento das mulheres. De novo, sabemos que em casos de assédio sexual é difícil existir prova material, mas o comportamento das acusadoras não convence que de fato existiu um crime.
Muitos ainda irão fazer uma pergunta que tem sido cada vez mais proferida na Internet: “mas a palavra da mulher não vale nada?”. E a resposta é “não”. Só a acusação não basta como prova, ainda mais nesse caso em que o acusado está apresentando provas de que é inocente. Levar em consideração apenas a acusação para sentenciar alguém é algo animalesco, uma aberração.
Após o canal que Marcius Melhem criou, veículos como a Folha e o Metrópoles não conseguiram ignorar as evidências e se viram obrigadas a entrevistá-lo, dando espaço para que ele possa se defender e dar a sua versão.
Ainda assim é uma exposição muito pequena se comparada a toda repercussão que essas mulheres já tiveram e continuam tendo. Nada surpreendente, pessoas continuam se mantendo firmes na crença de que ele é sem nenhuma dúvida culpado, mesmo com as provas que ele apresentou, mesmo com todas as contradições encontradas nos próprios depoimentos das acusadoras, um anulando o outro.
Aguardo pela resolução do caso orgulhoso em não ter nenhuma certeza, diferente da maioria das pessoas que adotam um comportamento que eu tanto desprezo.









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