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Uma mulher encontra independência e autoestima no trabalho em “Her Job”

Emprego como faxineira em um shopping representa virada de vida sem volta para protagonista


Avatar de Hernandes Matias Junior

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É em meio à turbulência socioeconômica da Grécia contemporânea que se passa “Her Job”. Dirigido pelo grego Nikos Labot, o filme revela como uma das profissões mais subestimadas e essenciais, a de faxineira profissional, pode desempenhar um papel significativo na vida de alguém que luta para sustentar sua família e encontrar um senso de valor pessoal.

Panayiota, interpretada de forma brilhante por Marisha Triantafyllidou, é uma dona de casa de 37 anos, presa em um modesto apartamento compartilhado com um marido desempregado, Kostas, e dois filhos. A protagonista é sobrecarregada com as tarefas domésticas, enquanto seu marido reclama da situação econômica do país, que é constantemente destacada nas notícias de fundo. Ela é tratada como nada mais do que uma empregada em sua própria família, um fato que, junto à necessidade de se conseguir renda, a faz ir em busca de um emprego, o primeiro em sua vida.

A oportunidade surge quando uma vizinha a informa sobre uma vaga de faxineira em um novo shopping chamado “Le Marche”. Panayiota agarra a chance e é imediatamente contratada, abraçando um trabalho que envolve árduos esforços de limpeza. Para muitas daquelas trabalhadoras, aquele é um emprego tolerável, mas para Panayiota, representa liberdade de um marido dominador, da filha mimada e de uma vida de trabalho não remunerado em casa.

O filme habilmente retrata a jornada de autodescoberta de Panayiota, conforme ela começa a receber seu primeiro salário, aprende a dirigir e enfrenta a exploração de seu empregador sorrateiro. Sua incapacidade de ler ou escrever a torna vulnerável a qualquer contrato que lhe seja apresentado. No entanto, ela vê o emprego não apenas como uma forma de garantir o sustento, mas também como uma saída de sua vida anterior.

Marisha Triantafyllidou brilha na interpretação de Panayiota, inicialmente representando uma mulher marcada pela opressão e com poucos motivos para sorrir. No entanto, à medida que a história avança, ela se recupera, compartilhando momentos com suas colegas de trabalho e experimentando a vida como uma funcionária em tempo integral.

Embora “Her Job” adote uma abordagem mais sóbria e reservada, ele oferece uma visão perspicaz de uma mulher que encontra felicidade fora do âmbito familiar opressivo. No cerne do filme, não se trata apenas do trabalho em si, mas das oportunidades e possibilidades que ele representa para a protagonista. E mesmo no seu fim, já cumpriu o seu papel: mostrar a essa mulher que existem muitas possibilidades fora de casa.

“Her Job” é uma ótima estreia de Nikos Labot que oferece uma perspectiva única sobre a resiliência humana, sobretudo em seu país, há anos vivendo uma tragédia, tão triste quanto aquelas representadas em suas pólis no passado.


“Her Job”, Nikos Labot

Disponível no MUBI

Avaliação: 4 de 5.

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