
No coração do frenético e voraz circuito da arte contemporânea, onde a máxima é “produzir ou perecer”, Laura Erber nos apresenta uma figura radicalmente oposta: o artista improdutivo. Não se trata da ausência de talento ou de um bloqueio criativo convencional, mas de uma *escolha*, uma *estratégia* — ou talvez uma *condenação* — que subverte as lógicas de visibilidade, mercado e reconhecimento.
Com inteligência cortante e uma ironia mordaz, Erber mergulha nas contradições inerentes à própria definição de “artista” na era da espetacularização. O que significa criar quando o valor é medido pela performance, pela constante novidade e pela inserção em um sistema que tudo devora e regurgita? Através de ensaios afiados, ficções conceituais e reflexões que borram as fronteiras entre a crítica cultural e a metafísica da criação, o livro desvenda as camadas de performance, ego e mito que circundam a figura do “gênio” e do “fracassado”.
Seria a improdutividade a forma mais radical de resistência, um grito silencioso contra a mercantilização da alma criativa? Ou um reflexo melancólico da exaustão diante de um palco onde todos são obrigados a atuar? “O artista improdutivo” é um convite irrecusável para repensar o próprio ato de fazer, ver e consumir arte, uma provocação intelectual que destrói certezas e questiona o que realmente permanece quando tudo o que se esperava foi deliberadamente *não* feito. Essencial para quem ousa olhar para o abismo da não-criação e encontrar ali uma forma de arte por si só.
“O artista improdutivo” está à venda no site da Âyiné.








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