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Filme: “Fando and Lis” (1968), Alejandro Jodorowsky

A jornada de Fando e Lis, uma dupla improvável em um mundo pós-apocalíptico desolado, desenrola-se com a aspiração de alcançar Tar, uma cidade mítica de promessas e talvez salvação. Lis, fisicamente debilitada e dependente, é conduzida por Fando, que a carrega em um carrinho, através de paisagens áridas e povoadas por figuras estranhas e perturbadoras.…


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A jornada de Fando e Lis, uma dupla improvável em um mundo pós-apocalíptico desolado, desenrola-se com a aspiração de alcançar Tar, uma cidade mítica de promessas e talvez salvação. Lis, fisicamente debilitada e dependente, é conduzida por Fando, que a carrega em um carrinho, através de paisagens áridas e povoadas por figuras estranhas e perturbadoras. A cada passo, a relação entre eles, inicialmente retratada como um elo de devoção, é submetida a uma pressão crescente, revelando camadas de tirania, manipulação e uma complexa simbiose que oscila entre a dependência e a crueldade.

Conforme se movem, Fando e Lis encontram uma série de personagens que parecem extraídos de um pesadelo coletivo ou de um circo macabro: homens mascarados, figuras com deficiências físicas e comunidades presas em rituais bizarros. Essas interações, por vezes violentas, por vezes oníricas, expõem a brutalidade latente na busca incessante por um objetivo inatingível. O filme Fando and Lis se aprofunda na dinâmica de poder dentro de um vínculo afetivo, onde o cuidado se transfigura em controle e o desejo de ajudar se converte em subjugação. A paisagem, mais do que um pano de fundo, atua como um purgatório psicológico que desvela as verdades mais incômodas sobre a condição humana sob coação.

A narrativa acompanha a deterioração não apenas do ambiente, mas também da sanidade e da moralidade de Fando, à medida que a frustração e a busca incessante por Tar corroem sua compaixão. A obra é uma exploração visceral do afeto transformado em tormento, do idealismo convertido em desilusão. Ela pondera sobre a natureza da dependência humana, tanto física quanto emocional, e como a fixação em uma meta distante pode distorcer a realidade e aniquilar a humanidade dos envolvidos. O percurso de Fando e Lis, então, não é apenas uma travessia física; é uma imersão na própria fragilidade da psique, onde a busca por um lugar de perfeição acaba por expor a imperfeição inerente à própria existência, e a jornada se revela mais um desnudamento de alma do que uma peregrinação para um destino.


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