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Filme: “Poesia Sem Fim” (2016), Alejandro Jodorowsky

“Poesia Sem Fim” é a incursão de Alejandro Jodorowsky na própria juventude, um mergulho na formação do artista sob o sol inclemente de Santiago e nas sombras boêmias de um Chile em efervescência. A película traça o percurso de um jovem Jodorowsky, vivido por seu filho Adan, desde as amarras de uma família de rígidos…


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“Poesia Sem Fim” é a incursão de Alejandro Jodorowsky na própria juventude, um mergulho na formação do artista sob o sol inclemente de Santiago e nas sombras boêmias de um Chile em efervescência. A película traça o percurso de um jovem Jodorowsky, vivido por seu filho Adan, desde as amarras de uma família de rígidos comerciantes ucranianos até a libertação pessoal no cenário artístico vanguardista dos anos 40 e 50. É uma odisseia de autodescoberta e ruptura, onde o ordinário se transmuta em extraordinário sob a lente surrealista do diretor.

A narrativa, imbricada com elementos fantásticos e a presença onisciente do próprio Jodorowsky mais velho – guiando, comentando, por vezes interagindo com seu eu jovem – dissolve as fronteiras entre memória e mito. A paleta de cores vibrantes, os cenários que flutuam entre o realismo e a cenografia teatral, e a coreografia dos movimentos dos personagens conferem à obra um caráter onírico e operístico. A vida de Jodorowsky é apresentada não como uma sucessão linear de fatos, mas como uma série de epifanias e confrontos internos e externos, construindo um universo particular onde cada encontro e cada desafio impulsionam a transformação.

O filme apresenta um panteão de figuras marcantes que pontuaram sua formação: poetas como Enrique Lihn e Stella Díaz Varín, artistas e intelectuais que compunham o vibrante círculo underground da época. Suas interações, muitas vezes exageradas e performáticas, compõem um mosaico de experimentação e camaradagem, forjando a sensibilidade artística do jovem Alejandro. A complexa relação com o pai, Jaime, personifica o conflito entre a segurança do conformismo e a turbulência da vocação artística. Essa tensão funciona como um catalisador para a busca incessante por uma identidade autêntica.

A obra emerge como um estudo sobre a construção da identidade. Jodorowsky argumenta, através de sua própria trajetória, que a vida é uma tela em branco onde cada indivíduo pinta seu próprio ser, moldando-se ativamente em resposta às experiências e escolhas, recusando-se a ser definido por legados ou convenções preexistentes. É uma celebração da autonomia criativa, onde a existência se torna uma performance contínua de auto-invenção. Ao desvendar a jornada de um dos cineastas mais singulares de nosso tempo, “Poesia Sem Fim” oferece uma perspectiva rara sobre a gênese da criatividade e a coragem de abraçar o caminho menos percorrido.


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