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Filme: “Design for Living” (1933), Ernst Lubitsch

“Design for Living” de Ernst Lubitsch, adaptação da peça de Noël Coward, irrompe na tela como um estudo hilário e perspicaz sobre as complexidades do amor livre e das convenções sociais. Gilda, uma designer americana pulsante de vida, encontra em Paris dois expatriados igualmente talentosos e charmosos: Tom, um dramaturgo em busca da grande peça,…


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“Design for Living” de Ernst Lubitsch, adaptação da peça de Noël Coward, irrompe na tela como um estudo hilário e perspicaz sobre as complexidades do amor livre e das convenções sociais. Gilda, uma designer americana pulsante de vida, encontra em Paris dois expatriados igualmente talentosos e charmosos: Tom, um dramaturgo em busca da grande peça, e George, um pintor hesitante em abraçar o sucesso. A atração é imediata, mas a solução que encontram para evitar o ciúme e preservar a amizade é, no mínimo, peculiar: um acordo de convivência platônica, com a promessa de que nenhum envolvimento romântico irá atrapalhar a dinâmica criativa e a camaradagem.

É claro que a promessa se mostra mais fácil de fazer do que de cumprir. A dinâmica entre os três se transforma em um jogo de sedução sutil, inveja mal disfarçada e acordos constantemente renegociados. A entrada em cena de Max Plunkett, um homem de negócios rico e divorciado que se apaixona por Gilda, complica ainda mais a situação, oferecendo a ela uma saída segura, mas tediosa, das suas complexas relações.

Lubitsch, com sua direção elegante e seu toque certeiro para a comédia sofisticada, transforma o triângulo amoroso em uma crítica mordaz da hipocrisia burguesa e dos papéis de gênero pré-definidos. O filme questiona se é possível conciliar a liberdade individual com as expectativas da sociedade, e se o amor e a amizade podem coexistir sem se tornarem reféns de convenções. A escolha final de Gilda, assim como as ações de Tom e George, sugerem que a busca pela felicidade muitas vezes exige desafiar as normas e abraçar a incerteza, mesmo que isso signifique navegar por um terreno moral ambíguo. Há ecos da filosofia existencialista na obra, principalmente na premissa de que o indivíduo é responsável por criar seu próprio significado e definir seus próprios valores, mesmo que isso entre em conflito com as imposições externas. O filme não oferece julgamentos fáceis, mas convida o espectador a refletir sobre a natureza do amor, da liberdade e das escolhas que moldam a nossa existência.


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