Alan Schneider orquestra em “Film” uma experiência cinematográfica concisa e intrigante, ancorada na atuação singular de Buster Keaton. A premissa, aparentemente simples, acompanha um homem obcecado em evitar ser visto. A narrativa se desenrola em um ambiente urbano desolado, filmado em preto e branco, onde cada movimento e cada olhar são meticulosamente coreografados. Keaton, com sua expressividade minimalista, personifica a angústia de um indivíduo em fuga, não de algo ou alguém em particular, mas da própria percepção.
O curta-metragem, escrito por Samuel Beckett, explora a ideia do *esse est percipi*, o princípio filosófico de George Berkeley que postula que ser é ser percebido. Keaton busca, desesperadamente, anular essa máxima, tentando escapar do olhar do outro, na vã tentativa de encontrar um estado de não existência. A progressão da narrativa o leva a situações cada vez mais absurdas e desesperadoras, culminando em um confronto final com ele mesmo.
A economia narrativa e a precisão da direção criam uma atmosfera claustrofóbica, acentuada pela cinematografia que acompanha Keaton em sua jornada. A ausência de diálogos concentra a atenção do espectador na linguagem corporal do ator e na expressividade do ambiente, que se torna um personagem tão importante quanto o protagonista. “Film” se apresenta como uma reflexão sobre a natureza da percepção, a ansiedade existencial e a busca, talvez fútil, por um refúgio na invisibilidade. Uma obra que, apesar de sua brevidade, persiste na memória pela sua originalidade e densidade conceitual.




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