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Filme: “Apocalypse After” (2018), Bertrand Mandico

Em ‘Apocalypse After’, Bertrand Mandico nos transporta para um futuro pós-apocalíptico onde a paisagem da Terra, ou o que restou dela, é um espetáculo de ruínas oníricas e mutações exuberantes. Duas jovens amigas, Thabor e Astrel, embarcam em uma jornada pelo que parece ser os últimos resquícios de um mundo destruído, um cenário gótico e…


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Em ‘Apocalypse After’, Bertrand Mandico nos transporta para um futuro pós-apocalíptico onde a paisagem da Terra, ou o que restou dela, é um espetáculo de ruínas oníricas e mutações exuberantes. Duas jovens amigas, Thabor e Astrel, embarcam em uma jornada pelo que parece ser os últimos resquícios de um mundo destruído, um cenário gótico e tropical capturado em vibrantes 16mm. Sua missão, ou talvez a sua fantasia, é encontrar uma criatura lendária que possa simbolizar tanto o fim quanto um novo começo, navegando por florestas petrificadas, arquiteturas desmoronadas e criaturas fantásticas que habitam este limbo existencial.

O filme é menos uma narrativa linear e mais um fluxo de consciência visual, uma colagem hipnótica de imagens que parecem emergir de um sonho febril ou de uma antiga enciclopédia botânica reescrita por Cronenberg. Mandico, com sua assinatura inconfundível, constrói cada quadro com uma atenção meticulosa aos detalhes, priorizando efeitos práticos e o tangível sobre a perfeição digital. O resultado é uma experiência tátil, quase palpável, onde a textura da película e a excentricidade dos cenários se tornam parte integrante da história. As protagonistas, em sua busca, parecem se fundir e se transformar com o próprio ambiente, questionando as fronteiras entre o orgânico e o inorgânico, o humano e o místico.

A obra se aprofunda na fluidez da identidade, explorando o conceito de subjetividade como um processo em contínua mutação, sem ancoragens fixas. Os corpos das personagens são veículos para a metamorfose, refletindo a desordem do mundo ao seu redor. Este Apocalipse, então, não é um fim total, mas um campo fértil para a reinvenção constante de si e do que significa existir. ‘Apocalypse After’ posiciona-se como um estudo imagético sobre a persistência da beleza na decadência e a busca por significado em meio ao caos.

O filme é uma declaração audaciosa sobre a liberdade criativa no cinema contemporâneo, forjando seu próprio caminho sem se prender a convenções. É uma jornada sensorial que pede ao espectador para abandonar expectativas narrativas tradicionais e se render à pura força imagética. ‘Apocalypse After’ oferece uma imersão profunda em um universo singular, onde a estranheza é a norma e a exploração da forma cinematográfica é tão vital quanto a própria trama.


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