Filmado em DV granulado e entrelaçando Santa Cruz, na Bolívia, a um campus universitário nos Estados Unidos, “Dependência Sexual” acompanha cinco adolescentes cujas histórias se cruzam na hora de descobrir o que significa ter — ou perder — controle sobre o próprio corpo. Uma jovem de periferia troca a ilusão do primeiro amor por uma experiência que a mercantiliza; um atleta cobiçado confronta a violência que sustenta a masculinidade que ostenta; uma estudante negra verbaliza o peso de carregar na pele e na memória o trauma de um estupro; enquanto encontros fugazes em boates, dormitórios e vestiários expõem o fio tênue entre desejo, poder e agressão. Ao filmar cada episódio duas vezes, de pontos de vista distintos, Rodrigo Bellott revela como classe, gênero, cor e geografia moldam — e distorcem — a mesma cena, desmontando mitos de inocência e pertencimento. O resultado é um mosaico de 1h50 min que transforma a descoberta sexual em radiografia social: ninguém escapa ileso daquilo que acredita precisar para ser amado.









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