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Filme: “Deixe-me Entrar” (2010), Matt Reeves

No coração de uma gélida cidade do Novo México, nos anos 80, desenrola-se a incomum história de Owen, um garoto de doze anos atormentado por agressores na escola e por uma profunda solidão em casa. Sua vida, marcada por fantasias escapistas e uma quietude melancólica, é subitamente alterada pela chegada de uma nova vizinha. Ela…


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No coração de uma gélida cidade do Novo México, nos anos 80, desenrola-se a incomum história de Owen, um garoto de doze anos atormentado por agressores na escola e por uma profunda solidão em casa. Sua vida, marcada por fantasias escapistas e uma quietude melancólica, é subitamente alterada pela chegada de uma nova vizinha. Ela é Abby, uma menina de aparência frágil e enigmática, que parece ter sua mesma idade, mas que carrega consigo uma aura milenar e um segredo macabro. Aparentemente órfã e acompanhada por um homem mais velho que age como seu provedor, Abby surge da noite e da escuridão, com seus próprios rituais noturnos e uma palidez que não se atribui apenas à falta de sol.

A conexão entre Owen e Abby floresce nas horas tardias, sob a penumbra da vizinhança. Compartilham chocolates e confidências banais, enquanto a verdade sobre a existência de Abby se revela por meio de uma série de eventos brutais na cidade. Ela é uma criatura que habita as sombras, dependente de sangue para sobreviver, e o homem que a acompanha não é um pai, mas um protetor cujas noites são dedicadas a caçar para saciar a fome dela. Essa dinâmica sombria contrasta agudamente com a pureza aparente do elo que se forma entre os dois jovens, onde o desespero de Owen por um aliado encontra eco na necessidade existencial de Abby por companhia e, em última instância, subsistência.

Matt Reeves explora esta premissa com uma contenção notável, tecendo uma narrativa que transcende o mero terror. O filme se debruça sobre a vulnerabilidade da infância e a busca por aceitação, examinando como a solidão pode forjar laços inesperados e, por vezes, perturbadores. A beleza da amizade entre Owen e Abby reside em sua complexidade perturbadora; é uma simbiose forjada na necessidade mútua, onde a fragilidade de um encontra uma forma de proteção na natureza implacável do outro. É uma contemplação sobre a natureza da dependência e a moralidade difusa que emerge quando a sobrevivência se sobrepõe a tudo. As performances de Kodi Smit-McPhee e Chloë Grace Moretz imprimem uma estranha autenticidade à relação, evocando uma melancolia que perdura muito além dos sustos superficiais. A atmosfera gelada e a cinematografia sombria de Greig Fraser envelopam a trama, transformando a paisagem invernal em um personagem à parte, que reflete a frieza inerente às escolhas e às consequências dos protagonistas.


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