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Filme: "City of the Living Dead" (1980), Lucio Fulci

Filme: “City of the Living Dead” (1980), Lucio Fulci

Em ‘City of the Living Dead’, Fulci entrega horror visceral com um portal para o inferno. Um repórter e uma médium lutam para impedir que os mortos dominem o mundo.


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Em ‘City of the Living Dead’, Lucio Fulci abandona sutilezas e mergulha de cabeça no horror visceral. Um padre se enforca em Dunwich, abrindo um portal para o inferno e desencadeando uma torrente de horrores sobre a pequena cidade. Um repórter, Peter Bell, testemunha o suicídio e une forças com a médium Theresa para fechar o portal e impedir que os mortos invadam o mundo dos vivos.

Fulci tece uma narrativa fragmentada, onde a lógica narrativa cede espaço a sequências chocantes e imagens grotescas. A trama, ainda que funcional, serve como um pretexto para o banquete de efeitos especiais práticos que definiram o estilo do diretor. Olhos são perfurados, cérebros são esmagados, e o vômito jorra em abundância, pintando um quadro de terror absoluto que desafia a sanidade.

O filme, longe de buscar uma coerência narrativa tradicional, opera em um nível quase onírico, evocando um estado de pesadelo onde as regras da realidade são suspensas. Dunwich se torna um palco para o absurdo, um lugar onde a morte permeia cada esquina e a esperança se esvai a cada cena. A trilha sonora de Fabio Frizzi, com seus sintetizadores sinistros, amplifica a atmosfera de pavor e desespero, marcando para sempre a experiência sensorial do filme.

Ainda que muitos critiquem a aparente falta de profundidade e o foco excessivo no gore, ‘City of the Living Dead’ pode ser visto como uma exploração da angústia existencial através do horror. A carnificina desenfreada reflete, em última análise, a fragilidade da condição humana diante do inevitável: a morte e o medo do desconhecido. Fulci, através de sua estética chocante, nos confronta com o lado sombrio da existência, onde a ordem e a razão desmoronam, e o horror se torna a única constante. É um filme que permanece perturbador e inesquecível, um marco do horror italiano que transcende a mera exploração do grotesco para se tornar uma experiência visceral e perturbadora.


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