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Filme: "A Revolução dos Bichos" (1954), Joy Batchelor, John Halas

Filme: “A Revolução dos Bichos” (1954), Joy Batchelor, John Halas

A animação de 1954 narra a revolta dos animais de uma granja, cuja busca por liberdade e igualdade é lentamente transformada em uma nova e brutal tirania liderada pelos próprios porcos que tomaram o poder.


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Numa paisagem rural britânica aparentemente serena, a Granja do Solar definha sob a gestão negligente de um Mr. Jones perpetuamente embriagado. Para os seus animais, a vida é um ciclo de trabalho árduo e recompensa escassa. A semente da insurreição é plantada por Major, um porco idoso que, antes de morrer, partilha uma visão de um mundo onde os animais são livres da tirania humana, donos do seu próprio trabalho e destino. Esta visão incendeia os corações e mentes, culminando numa revolta bem-sucedida que expulsa Jones da propriedade. Rebatizada de Granja dos Bichos, o local floresce sob um novo regime baseado em Sete Mandamentos de igualdade, com o princípio fundamental de que todos os animais são iguais. A direção da nova sociedade cai naturalmente sobre os porcos, os mais inteligentes dos animais, liderados pelo visionário Bola de Neve e pelo mais pragmático e taciturno Napoleão.

O que se desenrola a partir desta premissa utópica é uma dissecação fria e metódica dos mecanismos do poder. A animação de Joy Batchelor e John Halas, a primeira longa-metragem do género produzida no Reino Unido, afasta-se deliberadamente da estética adocicada que dominava o meio. O seu traço é funcional, por vezes austero, e a paleta de cores acompanha a deterioração moral da granja. A prosperidade inicial e o otimismo vibrante dão lugar a um clima sombrio e opressivo à medida que a estrutura de poder se solidifica. A disputa ideológica entre Bola de Neve, que defende a industrialização através de um moinho de vento para o bem comum, e Napoleão, que prioriza a produção de alimentos e o controlo interno, serve de catalisador para a primeira grande fratura no ideal revolucionário.

A tomada de poder por Napoleão não é um evento súbito, mas uma campanha calculada de medo, desinformação e violência. Após exilar Bola de Neve com o auxílio de uma matilha de cães que criou em segredo, ele estabelece um regime autoritário. É aqui que a obra expõe a sua análise mais afiada. A história é reescrita, os mandamentos são subtilmente alterados durante a noite para justificar os privilégios crescentes dos porcos, e qualquer dissidência é silenciada. O porco porta-voz, Garganta, personifica a máquina de propaganda, capaz de transformar a lógica de cabeça para baixo e convencer os outros animais a duvidarem da sua própria memória. A exploração não foi eliminada, apenas mudou de mãos, ilustrando com uma clareza desconcertante como a linguagem pode ser manipulada para servir à opressão, um processo onde o poder absoluto corrompe de forma absoluta os ideais que o originaram.

Diferente do final desolador do livro de George Orwell, a adaptação cinematográfica opta por uma conclusão que, embora violenta, oferece uma centelha de ação. Anos depois, os outros animais, liderados pelo burro Benjamim, testemunham Napoleão e os seus seguidores a confraternizarem com fazendeiros humanos, tornando-se indistinguíveis dos antigos opressores. Esta visão quebra finalmente a sua passividade, levando a uma segunda revolta, desta vez contra a nova classe dominante suína. Esta alteração, frequentemente atribuída à influência de financiadores com uma agenda anticomunista clara durante a Guerra Fria, muda a mensagem fundamental da obra. Em vez de um ciclo perpétuo e inevitável de tirania, o filme sugere que a opressão eventualmente gera a sua própria destruição. Independentemente desta mudança, a animação permanece um estudo poderoso e acessível sobre como as revoluções podem ser cooptadas e como ideais nobres podem ser pervertidos, não por uma força externa, mas pela dinâmica interna do próprio poder.


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