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Filme: "Sons of the Desert" (1933), William A. Seiter

Filme: “Sons of the Desert” (1933), William A. Seiter

Stan e Ollie aprontam em Filhos do Deserto, tentando curtir uma convenção secreta sem que suas esposas descubram. Muita confusão e risadas garantidas!


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Stan Laurel e Oliver Hardy, a dupla dinâmica da comédia, embarcam em mais uma aventura repleta de equívocos e trapalhadas em “Filhos do Deserto”. Desta vez, a trama gira em torno da obsessão de Stan e Ollie em participar de uma convenção da Ordem Fraternal dos Filhos do Deserto, na ensolarada Chicago. O problema? Suas respectivas esposas, Lottie e Betty, são categoricamente contra a ideia, acreditando que os maridos precisam de repouso e tratamento médico para seus supostos problemas de saúde.

A artimanha elaborada pelos dois amigos para driblar a vigilância doméstica é digna de um roteiro de suspense – ainda que com o toque pastelão característico da dupla. Eles simulam uma viagem de barco para o Havaí, inventando inclusive um naufrágio para justificar o sumiço temporário. A confusão se instala quando o “naufrágio” ganha manchetes nos jornais, com fotos dos dois supostamente se afogando. A partir daí, acompanhamos o desespero crescente de Stan e Ollie para manter a farsa enquanto aproveitam os prazeres da convenção, regada a muita cerveja e camaradagem masculina.

William A. Seiter, o diretor, tece uma crítica sutil ao comportamento masculino da época, explorando a necessidade de escape dos homens de seus compromissos e responsabilidades familiares. A Ordem dos Filhos do Deserto, com seus rituais secretos e hinos patrióticos, representa uma válvula de escape para a frustração da vida cotidiana, um espaço onde os homens podem ser homens, livres das cobranças e expectativas de suas esposas. No entanto, a liberdade tem um preço, e Stan e Ollie logo descobrem que suas ações têm consequências, especialmente quando Lottie e Betty descobrem a verdade sobre a “viagem ao Havaí”.

O humor físico e as gags visuais são o carro-chefe de “Filhos do Deserto”, mas o filme também oferece um vislumbre da dinâmica de poder dentro do casamento e da busca incessante por felicidade e autonomia, mesmo que essa busca envolva uma dose considerável de desonestidade. A comédia, portanto, se torna um veículo para abordar questões mais profundas, como a necessidade de autenticidade e a dificuldade de conciliar desejos pessoais com obrigações sociais. Ao final, “Filhos do Deserto” não é apenas uma comédia, mas uma reflexão sobre a condição humana, com Stan e Ollie servindo como caricaturas de nossos próprios anseios e fraquezas.


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