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Filme: "Wherever You Go, There We Are" (2017), Jesse McLean

Filme: “Wherever You Go, There We Are” (2017), Jesse McLean

‘Wherever You Go, There We Are’ investiga a busca por bem-estar digital, expondo vulnerabilidades e manipulações. O filme questiona se atalhos online levam a uma vida plena.


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Jesse McLean, em ‘Wherever You Go, There We Are’, tece uma investigação peculiar sobre a busca por bem-estar e autoajuda na era digital. Longe de oferecer um retrato simplista ou juízo de valor, o filme mergulha nas profundezas da internet, extraindo fragmentos de vídeos caseiros, tutoriais de gurus da positividade e fóruns online dedicados ao desenvolvimento pessoal. O resultado é um mosaico fascinante que expõe tanto a vulnerabilidade humana quanto o potencial de manipulação inerente a esse ecossistema.

A obra não se limita a exibir a superfície desses conteúdos. McLean explora a linguagem visual e sonora peculiar aos vídeos de autoajuda, notando a repetição de clichês motivacionais, a edição frenética e a trilha sonora otimista, quase hipnótica. Desse modo, ela nos leva a refletir sobre como esses elementos, aparentemente inofensivos, podem moldar nossas percepções e expectativas. A forma como nos apresentamos online e as narrativas que internalizamos sobre nós mesmos são postas em xeque.

Em vez de criticar abertamente a busca por aprimoramento, o filme observa com atenção a complexidade dessa jornada, questionando se os atalhos digitais realmente nos conduzem a uma vida mais plena. A constante promessa de felicidade e sucesso instantâneo, vendida a peso de ouro por influenciadores e coaches, contrasta com a realidade de frustração e inadequação que muitas vezes se manifesta nos comentários e nas confissões online. A lógica do “faça você mesmo” (do inglês “do it yourself”), tão presente na cultura da internet, é examinada sob uma nova perspectiva, revelando seus limites e suas potenciais armadilhas.

O título, que ecoa um mantra zen, sugere uma ironia sutil. Afinal, a busca incessante por um estado de espírito idealizado, muitas vezes alimentada por algoritmos e tendências, pode nos afastar do presente, do “aqui e agora” pregado pelas filosofias orientais. O filme não oferece um ponto final, mas sim um ponto de interrogação. Até que ponto a busca por autoaperfeiçoamento se torna uma obsessão que nos impede de aceitar quem somos? Como discernir entre o genuíno e o falacioso em meio à avalanche de informações disponíveis online? A obra instiga o espectador a confrontar suas próprias crenças e a repensar a forma como busca sentido em um mundo cada vez mais conectado e, paradoxalmente, solitário.


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