O sexting mudou, é inegável. Foi ficando mais explícito aos poucos, como tudo que a gente repete sem pensar muito. Primeiro era a foto, depois outra mais ousada, depois um vídeo curto, até que, em algum momento, passou a ser aceitável mandar um vídeo transando com outra pessoa.
Antes, havia uma certa tensão no envio de um nude. Existia a possibilidade de rejeição, de julgamento, de silêncio. Isso colocava o desejo num lugar instável, menos garantido. Hoje, essa instabilidade foi substituída por uma necessidade de afirmar o tempo todo que se é desejável. Não basta mais insinuar, é preciso demonstrar.
Quando alguém envia um vídeo transando com outro, não está apenas compartilhando um momento íntimo. Está dizendo algo sobre si. Está construindo uma imagem. É uma forma de se posicionar. De mostrar que vive, que experimenta, que tem acesso ao outro, que possui fuckability. O sexo deixa de ser apenas uma experiência e passa a funcionar como argumento.
Isso muda a dinâmica entre as pessoas. Quem recebe não participa de um jogo de sedução. Assiste. É colocado numa posição de reação diante de algo já consumado. O espaço da imaginação diminui. Tudo chega pronto.
A partir daí, o desejo passa a circular como exibição. Não se constrói algo entre duas pessoas, apresenta-se algo já construído. O tempo do encontro é substituído pelo tempo do envio. Um mostra, o outro responde. Há uma sequência de reações. Um voyeurismo não solicitado.
Nesse cenário, a expectativa se ajusta. O implícito perde espaço para o explícito como resposta ao que gera retorno. As pessoas aprendem o que chama atenção e passam a operar dentro disso.
Não há intensificação do desejo, há reorganização. Ele se torna visível, imediato e verificável, e passa a depender de resposta.
O sexting radicalizado não rompe com o que existia antes. Ele leva adiante a mesma lógica com menos mediação. Menos intervalo, menos dúvida, menos espaço vazio.




Deixe uma resposta