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Encontros e desencontros de Nietzsche e Freud acerca do inconsciente

O que é dito pelo filósofo do martelo e pelo pai da psicanálise

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Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud possuem convergências e divergências fundamentais na compreensão do inconsciente humano.

Sigmund Freud, em sua obra “O mal estar na civilização” (1929/2011), argumenta que os instintos humanos são impulsionados principalmente pela busca pelo prazer (seja sexual ou na alimentação) e pela agressão exteriorizada. Para Freud, a gênese do inconsciente ocorre quando o indivíduo, para se integrar em uma sociedade civilizada, precisa reprimir seus impulsos instintivos que podem prejudicar a coletividade. O que a sociedade não aceita é reprimido e enviado para o inconsciente. Nesse contexto, a consciência mantém uma relação ambivalente com esses desejos reprimidos.

A sublimação desempenha um papel crucial na teoria freudiana do inconsciente. É o processo pelo qual os instintos desviam-se de seus objetivos iniciais para formas menos satisfatórias, mas socialmente aceitáveis de expressão. Exemplos de impulsos sublimados incluem a amizade, a arte e o trabalho. Freud argumenta que a sublimação está presente em todos nós e não se limita aos neuróticos.

Freud desafia a ideia do livre arbítrio, considerando-o um mito. Ele afirma que nossas ações muitas vezes são influenciadas por impulsos e instintos inconscientes, e a consciência não tem controle total sobre elas. Para Freud, o livre arbítrio é uma ilusão que as pessoas usam para justificar o julgamento moral.

Nietzsche, por sua vez, também questiona a noção de livre arbítrio em sua obra “Além do bem e do mal” (1886/1992). Ele argumenta que o livre arbítrio é uma criação humana, um preconceito, usado para julgar os outros. Nietzsche não acredita em um livre arbítrio absoluto, mas sim em vontades fortes e fracas que impulsionam nossas ações. Ele contesta a ideia de que somos plenamente responsáveis por nossos atos, já que muitas vezes nossas ações têm fontes inconscientes.

No entanto, Nietzsche difere de Freud ao conceber o inconsciente. Para Nietzsche, o inconsciente não é uma força opressora que precisa ser reprimida, como é o caso na teoria freudiana. Em vez disso, ele vê o inconsciente como uma parte necessária e saudável da vida humana, tão importante quanto a consciência. O inconsciente, para Nietzsche, é uma fonte de experiências raras, indizíveis e inusuais, que enriquecem a existência humana.

Portanto, enquanto Freud vê o inconsciente como uma área de conflito e repressão, Nietzsche o percebe como uma dimensão da experiência humana que não deve ser condenada moralmente. Ambos os pensadores reconhecem a importância do inconsciente, mas suas abordagens e interpretações divergem em relação ao seu significado e à sua relação com a consciência.

Freud enfatiza a repressão e a sublimação, enquanto Nietzsche celebra a expressão do inconsciente como uma parte vital da existência humana.


Ilustração: Carlo Quaranta

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Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud possuem convergências e divergências fundamentais na compreensão do inconsciente humano.

Sigmund Freud, em sua obra “O mal estar na civilização” (1929/2011), argumenta que os instintos humanos são impulsionados principalmente pela busca pelo prazer (seja sexual ou na alimentação) e pela agressão exteriorizada. Para Freud, a gênese do inconsciente ocorre quando o indivíduo, para se integrar em uma sociedade civilizada, precisa reprimir seus impulsos instintivos que podem prejudicar a coletividade. O que a sociedade não aceita é reprimido e enviado para o inconsciente. Nesse contexto, a consciência mantém uma relação ambivalente com esses desejos reprimidos.

A sublimação desempenha um papel crucial na teoria freudiana do inconsciente. É o processo pelo qual os instintos desviam-se de seus objetivos iniciais para formas menos satisfatórias, mas socialmente aceitáveis de expressão. Exemplos de impulsos sublimados incluem a amizade, a arte e o trabalho. Freud argumenta que a sublimação está presente em todos nós e não se limita aos neuróticos.

Freud desafia a ideia do livre arbítrio, considerando-o um mito. Ele afirma que nossas ações muitas vezes são influenciadas por impulsos e instintos inconscientes, e a consciência não tem controle total sobre elas. Para Freud, o livre arbítrio é uma ilusão que as pessoas usam para justificar o julgamento moral.

Nietzsche, por sua vez, também questiona a noção de livre arbítrio em sua obra “Além do bem e do mal” (1886/1992). Ele argumenta que o livre arbítrio é uma criação humana, um preconceito, usado para julgar os outros. Nietzsche não acredita em um livre arbítrio absoluto, mas sim em vontades fortes e fracas que impulsionam nossas ações. Ele contesta a ideia de que somos plenamente responsáveis por nossos atos, já que muitas vezes nossas ações têm fontes inconscientes.

No entanto, Nietzsche difere de Freud ao conceber o inconsciente. Para Nietzsche, o inconsciente não é uma força opressora que precisa ser reprimida, como é o caso na teoria freudiana. Em vez disso, ele vê o inconsciente como uma parte necessária e saudável da vida humana, tão importante quanto a consciência. O inconsciente, para Nietzsche, é uma fonte de experiências raras, indizíveis e inusuais, que enriquecem a existência humana.

Portanto, enquanto Freud vê o inconsciente como uma área de conflito e repressão, Nietzsche o percebe como uma dimensão da experiência humana que não deve ser condenada moralmente. Ambos os pensadores reconhecem a importância do inconsciente, mas suas abordagens e interpretações divergem em relação ao seu significado e à sua relação com a consciência.

Freud enfatiza a repressão e a sublimação, enquanto Nietzsche celebra a expressão do inconsciente como uma parte vital da existência humana.


Ilustração: Carlo Quaranta

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