Ontem, o participante Davi do BBB 24, nos brindou com a pérola de afirmar, em alto e bom som, que “sou homem, não sou viado”. Uma declaração que, se fosse proferida em outros contextos, teria acendido as tochas virtuais da indignação.
No entanto, eis o paradoxo: Davi, homem negro, nordestino e queridinho do público, tem seu passaporte carimbado para a tolerância homofóbica. Afinal, alguns malabarismos argumentativos tentam nos fazer crer que o que ele disse se trata apenas de uma gíria ou que a educação formal não é sua praia. É o famoso “vale-tudo” para defender um ídolo de ocasião.
Mas, aqui entre nós, eis a pergunta que não quer calar: onde fica o crivo da intolerância quando o assunto é homofobia? Será que Davi, por ser um participante popular, ganha imunidade para destilar preconceitos? Não podemos nos permitir ser reféns de uma lógica que, paradoxalmente, faz vista grossa para a intolerância enquanto hipersensibiliza-se em outros fronts.
O relativismo militante atinge seu auge quando somos confrontados com a cegueira seletiva. O mesmo internauta que ergue a bandeira contra o racismo e desbrava as linhas do machismo, de repente, se torna um equilibrista das palavras, transformando homofobia em mero descuido linguístico.
A Luisa Sonza que o diga. O que para alguns seria um pequeno deslize, para ela tornou-se um verdadeiro vendaval de críticas. O relativismo parece seletivo, como se a tolerância ou a condenação dependessem do cardápio da popularidade.
Acredito que não podemos ceder à tentação da ginástica argumentativa conveniente. A homofobia não pode ser tolerada, não importa quem seja o autor da frase infeliz. Não é questão de modismo, mas de princípios. Se vamos erguer bandeiras, que sejam consistentes e não tremulem ao sabor da popularidade momentânea.
Que fique claro: a militância seletiva é um malabarismo perigoso que ameaça desequilibrar a corda tênue da coexistência plural. Enquanto alguns tentam justificar o injustificável, é imperativo dizer: a intolerância não é uma gíria aceitável.




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