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“Baise-moi” é hoje um bom filme ruim

Diretoras Virginie Despentes e Coralie Trinh Thi unem forças para fazer filme repleto de violência e depravação


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“Baise-Moi” gira em torno de duas mulheres, Manu e Nadine, cujas vidas são entrelaçadas por traumas e uma fome insaciável por vingança. Manu, uma vítima de estupro, e Nadine, uma prostituta desiludida, encontram uma catarse grotesca na violência, transformando-se em uma dupla letal que desencadeia uma onda de carnificina pelo campo francês: uma vez juntas, elas saem pela cidade assaltando, matando e fazendo sexo sem nenhum pudor, com tudo chegando ao espectador sem qualquer censura. Uma espécie de Thelma e Louise transmitido pelo PornHub.

Em “Baise-Moi”, a violência não é apenas uma ferramenta narrativa; é uma expressão visceral da raiva e da dor das personagens. Manu e Nadine não estão interessadas em redenção ou em seguir as convenções da sociedade; elas estão em uma missão de autodestruição e vingança. Cada assassinato é uma afirmação de poder, uma tentativa desesperada de reivindicar o controle sobre suas próprias vidas em um mundo que as trata como objetos descartáveis. Tudo é tão explícito que as personagens tiveram que ser interpretadas por atores da indústria pornográfica.


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É essa falta de compromisso e franqueza que torna “Baise-Moi” tão provocador e, ao mesmo tempo, tão poderoso. As diretoras Virginie Despentes e Coralie Trinh Thi se recusam a suavizar as arestas de sua narrativa ou a amenizar o impacto de suas imagens. Em vez disso, elas mergulham de cabeça na brutalidade da vida, confrontando o espectador com uma realidade desconfortável que desafia suas suposições sobre moralidade e decência.

Mas por baixo de toda a crueza e carnificina, com uma matança muitas vezes sem motivo, há uma sensação de urgência e autenticidade que é difícil de ignorar. “Baise-Moi” é um filme feito com uma paixão e uma convicção que transcende seus aspectos mais controversos.

“Baise-Moi” não é para fracos. É um filme que por vezes assusta o espectador, como na cena de um estupro coletivo em uma garagem; mas também o excita, como na cena de um quase sexo a quatro, em que cada casal toma conta de uma cama de solteiro, uma ao lado da outra. Cada cena do filme é um lembrete sombrio de que, por trás da fachada de civilidade e moralidade, há um abismo de violência e depravação que ameaça engolir tudo o que conhecemos.


“Baise-moi”, Virginie Despentes e Coralie Trinh Thi

Disponível no Stremio

Avaliação: 3 de 5.

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