Em meio à luta incessante por igualdade e aceitação, a comunidade gay se encontra diante de um abismo de incertezas sobre de que forma viver a própria vida. A rejeição das normas heteronormativas, embora libertadora, também despojou a comunidade de um escopo de vida definido e, convenhamos, de um escopo que apresentou, ao longo dos anos, algum sucesso. A fórmula heterossexual de namoro, casamento e procriação, embora possa ser uma prisão e causar sofrimento para quem almeja algo fora desse escopo, também serve como um projeto de vida para muitos, um caminho a ser seguido e que possui casos que obtiveram êxito. Para a comunidade gay, no entanto, não existe tal roteiro.
Aqui reside o paradoxo: ao rejeitar a fórmula heteronormativa, a comunidade gay se encontra em um território desconhecido, um vazio filosófico. Como René Girard observou, uma vez que as necessidades básicas são atendidas, as pessoas muitas vezes não sabem o que querem porque, afinal, analisar o que se quer quando não existe um modelo é extremamente difícil e exaustivo. Isso é especialmente verdadeiro para a comunidade gay, que, sem esse escopo de vida definido, pode se perder e entrar em decadência.
Este vazio filosófico pode levar ao niilismo, um conceito trabalhado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche: os gays não acreditam em família, não acreditam no casamento, e são incapazes de terem filhos. O niilismo, a crença de que a vida é sem propósito, significado ou valor intrínseco, pode ser uma consequência da falta de perspectiva. Afinal, o que queremos? O que parece ocorrer hoje é um viver pensando apenas no presente, escravos do próprio desejo e fadados a vier o sofrimento da solidão no futuro.
É crucial desenvolver uma filosofia para a comunidade gay. Uma filosofia que não apenas reconheça e celebre a singularidade da experiência gay, mas também forneça um escopo de vida e um sentido de direção: é possível e necessário criar laços afetivos enquanto jovens, pois quando velhos nossas conquistas profissionais e sexuais já não valem de nada.
A comunidade gay, como qualquer outra, precisa de uma filosofia. É essencial reconhecer essa necessidade e trabalhar para desenvolver uma que atenda a essa comunidade de maneira significativa e autêntica. Afinal, a ausência de uma filosofia não é liberdade, mas sim um convite ao niilismo. E é hora de a comunidade gay rejeitar esse convite.









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