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Acre, de Lucrecia Zappi, não é apenas um romance; é um mergulho visceral na selva amazônica e na escuridão da alma humana. A narrativa nos arrasta para a opressiva umidade da floresta, onde a linha tênue entre realidade e alucinação se desfaz, revelando uma história tão selvagem e intrincada quanto a própria natureza.
A protagonista, uma mulher anônima – a sua identidade, como a própria floresta, é um mistério a ser desvendado lentamente – chega a Acre em busca de um passado obscuro, talvez um escape, talvez um resgate. Ela se envolve com uma comunidade isolada, marginalizada e misteriosa, onde os limites da legalidade se esvaem em um turbilhão de violência latente, tráfico de drogas e rituais ancestrais que ecoam por entre as árvores centenárias.
A floresta, retratada não como um cenário idílico, mas como uma entidade viva, opressiva e implacável, se torna personagem central. Sua força bruta, sua beleza exuberante e sua escuridão profunda penetram na psique da protagonista, afetando sua sanidade e revelando as sombras que a assombram. À medida que ela se aprofunda na floresta, também se aprofunda em suas próprias feridas e traumas, confrontando segredos enterrados há muito tempo.
A trama se desenvolve como uma teia complexa, repleta de suspense e mistério. Encontros fortuitos com personagens enigmáticos – um guia taciturno, um curandeiro xamânico, traficantes impiedosos – misturam-se a vislumbres perturbadores de eventos passados, alimentando uma crescente sensação de paranoia e perigo. A narrativa, não linear e fragmentada, imita a própria natureza caótica da floresta, deixando o leitor constantemente na fronteira entre o entendimento e a confusão.
Acre não é apenas uma história de sobrevivência física, mas também uma jornada psicológica profunda, que explora as consequências da violência, o peso do passado e a busca incessante por redenção. A protagonista se vê confrontada com escolhas morais impossíveis, obrigada a navegar em um mundo onde a moralidade é relativa e a sobrevivência se torna o único imperativo. No final, o que permanece é a indagação: será que a protagonista encontra o que procurava na selva, ou a selva é que a encontrou, revelando a verdade brutal sobre ela mesma? A resposta, como a floresta de Acre, é densa, opressiva, e profundamente inquietante.
“Acre” está à venda no site da Todavia.








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