
Em ‘Com Borges’, Alberto Manguel convida-nos a um privilégio íntimo e singular: ser a voz e os olhos do maior bibliotecário do mundo, Jorge Luis Borges, nos seus últimos anos de vida. Mais do que um mero perfil biográfico, esta obra é uma imersão na simbiose intelectual e humana que se formou entre o jovem Manguel, então um estudante de dezanove anos, e o mestre cego, que o empregou para ler em voz alta os incontáveis volumes que preenchiam a sua casa.
Não era uma simples tarefa; era uma iniciação profunda nos labirintos da mente borgeana. Através das páginas que Manguel lia em voz alta – de clássicos gregos a enciclopédias, de poesia a contos de mistério – somos transportados para o universo mental de Borges. Testemunhamos as suas reações, os seus comentários improvisados, as suas divagações geniais e por vezes irritáveis, que se tornavam aulas informais sobre literatura, história, filosofia e a própria natureza da realidade.
Manguel oferece um retrato visceral e sem filtro do homem por trás do mito: o Borges com as suas idiossincrasias, as suas inseguranças, a sua erudição assombrosa e o seu humor cortante. Revela-nos não só o intelectual que moldou a literatura moderna, mas também o ser humano vulnerável, dependente de uma voz para aceder ao mundo que amava e que se esvaía na escuridão. O livro é uma meditação profunda sobre a memória, a cegueira, a importância da leitura na formação da identidade e a complexidade de uma amizade forjada nas palavras.
‘Com Borges’ é uma janela rara para a intimidade de um gênio, uma reflexão comovente sobre a perda e a continuidade do legado, e um testemunho vibrante de como as palavras podem forjar destinos e moldar mentes. É uma leitura essencial para qualquer um que já se perdeu nas páginas de um livro, para quem se interroga sobre o que significa ler, escrever e existir num mundo moldado pelas histórias que contamos e ouvimos. Uma obra-prima de memórias que transcende o simples anedotário, levando-nos ao coração da literatura e da amizade intelectual.
“Com Borges” está à venda no site da Âyiné.








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