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Filme: “Bird Now”, Marc Huraux

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Décadas após o seu último solo, o espectro de Charlie Parker ainda assombra as esquinas de Nova Iorque, os clubes de jazz de Paris e as paisagens poeirentas de Kansas City. Em ‘Bird Now’, Marc Huraux não tenta construir mais um monumento biográfico para o deus do bebop. Em vez disso, o realizador francês orquestra uma evocativa sessão espírita cinematográfica, uma viagem fantasmagórica em busca de um homem que se tornou mito antes mesmo de o seu corpo arrefecer.

A câmara de Huraux vagueia pelos lugares que Bird habitou, hoje silenciosos ou transformados, capturando a sua ausência palpável. O filme tece a sua narrativa não através de uma cronologia factual, mas através dos ecos fragmentados das vozes que o conheceram intimamente. As suas esposas, Chan Parker e Doris Parker, músicos como Roy Haynes e Red Rodney, e amigos de longa data convocam as suas memórias, não como depoimentos para um tribunal da história, mas como confidências partilhadas numa noite tardia. As suas palavras, por vezes contraditórias, pintam um retrato complexo e fugidio, revelando tanto sobre a sua própria relação com a lenda como sobre o homem em si.

Longe de ser um exercício nostálgico, o filme investiga o vazio que a sua genialidade e autodestruição deixaram. O som do saxofone alto de Parker, o verdadeiro narrador desta história, perfura o silêncio, servindo como o fio condutor que une o passado ao presente. ‘Bird Now’ é menos um retrato e mais um poema sobre a impossibilidade de capturar um génio. É uma meditação sobre a memória, o legado e a forma como uma vida tão intensa e breve continua a reverberar, não como uma história acabada, mas como uma pergunta que se recusa a ser silenciada.

“Bird Now” está disponível no MUBI.

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Décadas após o seu último solo, o espectro de Charlie Parker ainda assombra as esquinas de Nova Iorque, os clubes de jazz de Paris e as paisagens poeirentas de Kansas City. Em ‘Bird Now’, Marc Huraux não tenta construir mais um monumento biográfico para o deus do bebop. Em vez disso, o realizador francês orquestra uma evocativa sessão espírita cinematográfica, uma viagem fantasmagórica em busca de um homem que se tornou mito antes mesmo de o seu corpo arrefecer.

A câmara de Huraux vagueia pelos lugares que Bird habitou, hoje silenciosos ou transformados, capturando a sua ausência palpável. O filme tece a sua narrativa não através de uma cronologia factual, mas através dos ecos fragmentados das vozes que o conheceram intimamente. As suas esposas, Chan Parker e Doris Parker, músicos como Roy Haynes e Red Rodney, e amigos de longa data convocam as suas memórias, não como depoimentos para um tribunal da história, mas como confidências partilhadas numa noite tardia. As suas palavras, por vezes contraditórias, pintam um retrato complexo e fugidio, revelando tanto sobre a sua própria relação com a lenda como sobre o homem em si.

Longe de ser um exercício nostálgico, o filme investiga o vazio que a sua genialidade e autodestruição deixaram. O som do saxofone alto de Parker, o verdadeiro narrador desta história, perfura o silêncio, servindo como o fio condutor que une o passado ao presente. ‘Bird Now’ é menos um retrato e mais um poema sobre a impossibilidade de capturar um génio. É uma meditação sobre a memória, o legado e a forma como uma vida tão intensa e breve continua a reverberar, não como uma história acabada, mas como uma pergunta que se recusa a ser silenciada.

“Bird Now” está disponível no MUBI.

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