Numa era saturada de imagens, poucas tiveram o impacto sísmico das fotografias que emergiram da prisão de Abu Ghraib. Contudo, no seu documentário meticuloso e provocador, o mestre investigador Errol Morris argumenta que estas imagens, em vez de revelarem a verdade completa, podem ter servido para a obscurecer. Com a sua marca registada de entrevistas diretas para a câmara, Morris coloca o espectador frente a frente com os soldados americanos que se tornaram os rostos da infâmia, incluindo Lynndie England e Sabrina Harman. Ele não os aborda para os condenar, mas para os interrogar, desmontando a narrativa simplista de “algumas maçãs podres”.
Através de uma combinação da sua estética inconfundível, que inclui recriações estilizadas e oníricas, e uma banda sonora hipnótica de Danny Elfman, Morris mergulha na psicologia e no contexto que levaram à tortura e humilhação. O filme investiga a perturbadora possibilidade de que estes atos, longe de serem aberrações isoladas, eram na verdade o resultado de um ambíguo ‘procedimento operacional padrão’ ditado por uma cadeia de comando invisível. Ao focar-se em quem tirou as fotos e porquê, Morris questiona o próprio ato de documentar. O que acontece fora do enquadramento? Que histórias as imagens não contam? Distanciando-se do sensacionalismo, o filme não oferece respostas fáceis, mas sim um inquietante questionamento sobre a natureza da verdade numa fotografia e o abismo que existe entre ver e compreender.
“Procedimento Operacional Padrão” está disponível no MUBI.




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