No alvorecer do século XX, na fronteira árida da Califórnia, Daniel Plainview é um prospector de prata que se transforma em magnata do petróleo, um homem forjado pela solidão e por uma ambição tão vasta e desolada quanto a paisagem que ele procura domar. Com o seu filho adotivo, H.W., a reboque – um adereço estratégico na sua persona de homem de família –, Plainview segue o rasto de um mar de ouro negro que se esconde sob uma pequena e devota cidade do Oeste.
É aqui que o seu caminho se cruza com o de Eli Sunday, um jovem e carismático profeta local que vê em Plainview tanto um salvador para a sua comunidade empobrecida como um rival para a alma do seu rebanho. O que se segue é menos uma negociação de terras e mais uma batalha de vontades, um duelo titânico entre o capital e a fé, cada um deles tão corruptível e implacável quanto o outro. À medida que a fortuna de Plainview jorra do solo, os laços de família, confiança e moralidade são sistematicamente fraturados e dissolvidos em óleo.
Paul Thomas Anderson orquestra um épico íntimo e arrepiante sobre a ascensão de um homem e a corrosão da sua humanidade. Cada barril de petróleo extraído parece drenar de Plainview mais uma gota de compaixão, deixando para trás um vácuo preenchido apenas por uma desconfiança paranoica e um desprezo absoluto por todos. A violência latente borbulha sob a superfície de cada acordo, culminando num retrato inesquecível do sonho americano transformado num pesadelo de riqueza, poder e solidão absoluta.
“Sangue Negro” está disponível no MUBI.









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