
Paolo, um físico habituado à precisão das fórmulas e à ordem inquestionável do universo, vê seu próprio mundo desintegrar-se com a mesma inexorabilidade que uma lei da física. Seu casamento, antes a âncora de sua existência, agora se desfaz em silêncios e incompreensões, deixando-o à deriva num mar de incertezas. Mas como quantificar a dor, o luto de um amor que se esvai? Como aplicar teoremas à imprevisibilidade do coração humano?
Em vez de buscar refúgio na clareza dos números, ele se vê mergulhado na caótica COP21 em Paris, um palco global de ansiedade e promessas vazias sobre um futuro que parece cada vez mais incerto. É nesse cenário de urgência coletiva e desintegração pessoal que Paolo se depara com a metáfora que permeia a narrativa: Tasmânia. Um lugar distante, quase mítico, que tanto pode ser a última fronteira de um mundo à beira do abismo quanto a esperança de um novo começo.
Em sua jornada de desassossego, ele cruza caminhos improváveis: Francesco, um meteorologista obcecado por cenários apocalípticos e pela fragilidade do nosso planeta; e a enigmática Yasmina, uma artista cujo trabalho é tão fluido e inconstante quanto o próprio futuro que a humanidade tenta prever. Através desses encontros, Giordano questiona o que resta quando as certezas desmoronam: a ciência pode decifrar o coração humano? A lógica consegue traçar o mapa do incerto?
“Tasmânia” é uma meditação profunda e pungente sobre a impermanência, o medo do desconhecido e a busca desesperada por um sentido numa era onde o pessoal e o global se confundem num turbilhão de ansiedade. É a história de um homem que, confrontado com a entropia de sua própria vida e do planeta, precisa aprender a viver no incerto, a abraçar o que não pode ser medido nem previsto. Será que, na imensidão da incerteza, existe um Tasmânia para cada um de nós, um lugar de refúgio ou, paradoxalmente, de confronto final com aquilo que mais tememos?
“Tasmânia” está à venda no site da Âyiné.








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