Em Ugetsu Monogatari, Kenji Mizoguchi tece uma fábula sutil sobre ambição e ilusão em meio ao caos do Japão feudal. Genjuro, um oleiro obcecado pela ideia de ascender socialmente através de seu trabalho, deixa sua esposa Miyagi e o filho para trás, atraído pela promessa de riqueza na cidade grande. Tobei, seu cunhado, sonha em se tornar um samurai, embarcando em uma jornada similar impulsionada pela ganância.
A narrativa se desdobra com uma beleza visual arrebatadora, onde a névoa constante e a fotografia em preto e branco evocam um mundo de sombras e incertezas. Genjuro encontra a misteriosa Lady Wakasa, uma nobre fantasmagórica que o seduz com luxo e requinte, aprisionando-o em um sonho febril de prazeres efêmeros. Enquanto isso, Tobei, após desventuras e um golpe de sorte, consegue realizar seu desejo, mas a que custo?
Mizoguchi não entrega julgamentos fáceis. Ele explora a natureza humana, a fragilidade dos desejos e as consequências da busca incessante por poder e reconhecimento. A ambição, desprovida de valores e responsabilidade, revela-se uma força destrutiva, capaz de corroer laços familiares e desvirtuar a própria alma. O filme ecoa a filosofia budista do desapego, sugerindo que a verdadeira felicidade reside não na conquista de bens materiais ou status social, mas na valorização do presente e na harmonia com o mundo ao redor. O retorno de Genjuro, desiludido e atormentado, confronta-o com a realidade trágica de suas escolhas, encerrando a narrativa em uma melancolia pungente e reflexiva.









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