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Filme: “Em Chamas” (2018), Lee Chang-dong

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Jong-su, um jovem entregador aspirante a escritor que mora nos arredores de Seul, cruza por acaso com Hae-mi, uma antiga vizinha que mal reconhece. Ela, agora uma dançarina de pantomima com sonhos grandiosos e algumas dívidas, o seduz para uma noite de intimidade antes de embarcar em uma viagem para a África. O retorno de Hae-mi, no entanto, traz consigo um elemento inesperado: Ben, um homem rico, charmoso e enigmático, cuja vida de luxo e aparente futilidade contrasta fortemente com a realidade modesta de Jong-su.

A dinâmica entre os três rapidamente se estabelece como um tenso estudo de observação e disparidade social. Jong-su, inicialmente atraído por Hae-mi, torna-se cada vez mais obcecado por ela e, simultaneamente, desconfiado de Ben. A situação toma um rumo perturbador quando Hae-mi desaparece sem deixar rastros, assim como o gato que ela afirmava ter, deixando Jong-su sozinho com suas crescentes suspeitas. O que começa como um possível triângulo amoroso evolui para uma busca angustiante, onde a realidade se deforma em pistas ambíguas e conjecturas cada vez mais sombrias. O filme mergulha na mente de Jong-su, cujas percepções são a única bússola em um mundo que parece conspirar para ocultar a verdade.

Lee Chang-dong orquestra uma narrativa que explora a natureza da certeza e a dificuldade de decifrar as intenções e a própria existência alheia. Através dos olhos de Jong-su, somos confrontados com a lacuna entre o que se manifesta e o que realmente subsiste, uma exploração da epistemologia na experiência humana. O diretor utiliza a paisagem sul-coreana – desde as áreas urbanas deterioradas até os campos desolados – para realçar a alienação e o isolamento que permeiam a jornada do protagonista. A investigação de Jong-su por Hae-mi transcende a mera procura por uma pessoa; ela se torna uma tentativa desesperada de encontrar sentido e coerência em um universo de aparências fragmentadas. A obra sugere, de forma inquietante, que a percepção individual, embora indispensável, pode ser um terreno escorregadio onde a verdade definitiva permanece uma quimera, alimentando a ambiguidade que permeia cada cena.

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Jong-su, um jovem entregador aspirante a escritor que mora nos arredores de Seul, cruza por acaso com Hae-mi, uma antiga vizinha que mal reconhece. Ela, agora uma dançarina de pantomima com sonhos grandiosos e algumas dívidas, o seduz para uma noite de intimidade antes de embarcar em uma viagem para a África. O retorno de Hae-mi, no entanto, traz consigo um elemento inesperado: Ben, um homem rico, charmoso e enigmático, cuja vida de luxo e aparente futilidade contrasta fortemente com a realidade modesta de Jong-su.

A dinâmica entre os três rapidamente se estabelece como um tenso estudo de observação e disparidade social. Jong-su, inicialmente atraído por Hae-mi, torna-se cada vez mais obcecado por ela e, simultaneamente, desconfiado de Ben. A situação toma um rumo perturbador quando Hae-mi desaparece sem deixar rastros, assim como o gato que ela afirmava ter, deixando Jong-su sozinho com suas crescentes suspeitas. O que começa como um possível triângulo amoroso evolui para uma busca angustiante, onde a realidade se deforma em pistas ambíguas e conjecturas cada vez mais sombrias. O filme mergulha na mente de Jong-su, cujas percepções são a única bússola em um mundo que parece conspirar para ocultar a verdade.

Lee Chang-dong orquestra uma narrativa que explora a natureza da certeza e a dificuldade de decifrar as intenções e a própria existência alheia. Através dos olhos de Jong-su, somos confrontados com a lacuna entre o que se manifesta e o que realmente subsiste, uma exploração da epistemologia na experiência humana. O diretor utiliza a paisagem sul-coreana – desde as áreas urbanas deterioradas até os campos desolados – para realçar a alienação e o isolamento que permeiam a jornada do protagonista. A investigação de Jong-su por Hae-mi transcende a mera procura por uma pessoa; ela se torna uma tentativa desesperada de encontrar sentido e coerência em um universo de aparências fragmentadas. A obra sugere, de forma inquietante, que a percepção individual, embora indispensável, pode ser um terreno escorregadio onde a verdade definitiva permanece uma quimera, alimentando a ambiguidade que permeia cada cena.

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