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Filme: “A Cidade Nua” (1948), Jules Dassin

Em “A Cidade Nua”, Jules Dassin desvenda a Nova York de 1948 sob uma luz implacável, mas sem cair na tentação de pintar um retrato simplista. Esqueça a idealização hollywoodiana: aqui, a metrópole é um organismo vivo, pulsante e repleto de nuances, onde o glamour e a sordidez coexistem em cada esquina. A trama policial,…


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Em “A Cidade Nua”, Jules Dassin desvenda a Nova York de 1948 sob uma luz implacável, mas sem cair na tentação de pintar um retrato simplista. Esqueça a idealização hollywoodiana: aqui, a metrópole é um organismo vivo, pulsante e repleto de nuances, onde o glamour e a sordidez coexistem em cada esquina. A trama policial, que se inicia com o brutal assassinato de uma jovem modelo, serve como pretexto para uma imersão crua e documental na engrenagem da cidade.

Dois detetives, interpretados com sobriedade por Barry Fitzgerald e Don Taylor, conduzem a investigação pelas entranhas da Big Apple. Dassin acompanha seus passos com uma câmera ágil e perspicaz, revelando a rotina dos policiais, as dificuldades da perícia, a burocracia implacável. Ao mesmo tempo, o filme nos apresenta aos personagens que orbitam a vida da vítima: um charmoso vigarista, um fotógrafo ambicioso, uma massagista suspeita. Cada um deles, à sua maneira, contribui para a atmosfera de mistério e paranoia que paira sobre a cidade.

O que distingue “A Cidade Nua” de outros filmes noir da época é a sua abordagem quase sociológica. Dassin parece interessado em desmistificar o glamour de Hollywood, revelando as condições de trabalho precárias dos artistas, a exploração sexual, a busca incessante por fama e dinheiro. A cidade, nesse contexto, não é apenas um cenário, mas um personagem fundamental, que molda o destino dos indivíduos. O filme, de certa forma, ecoa o pensamento de Walter Benjamin sobre a cidade como um palco de constantes transformações e ruínas, onde o passado e o presente se entrelaçam de forma complexa e imprevisível. A resolução do caso, ao final, não traz alívio ou redenção, apenas a constatação de que a vida continua, implacável, na cidade que nunca dorme.


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