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Filme: “Baden Baden” (2016), Rachel Lang

Ana, na casa dos seus vinte e seis anos, abandona um trabalho precário como motorista de produção de cinema após um desentendimento que envolve um Porsche de luxo e uma tarefa impossível. Sem rumo certo, ela volta para Estrasburgo, a cidade da sua juventude, um lugar que deveria ser familiar, mas que agora parece apenas…


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Ana, na casa dos seus vinte e seis anos, abandona um trabalho precário como motorista de produção de cinema após um desentendimento que envolve um Porsche de luxo e uma tarefa impossível. Sem rumo certo, ela volta para Estrasburgo, a cidade da sua juventude, um lugar que deveria ser familiar, mas que agora parece apenas mais uma paisagem para a sua deriva pessoal. A sua avó acaba de passar por uma cirurgia e precisa de cuidados, um dever que Ana assume com uma mistura de afeto e resignação. É nesse cenário de retorno e suspensão que um projeto inesperado se impõe: a reforma completa do banheiro da avó.

O que se segue é um retrato preciso e sem adornos de uma geração em compasso de espera. A tarefa de demolir azulejos, arrancar o vaso sanitário e tentar instalar uma nova ducha italiana se torna o eixo central da narrativa de Rachel Lang. Mais do que um simples projeto de “faça você mesma”, a demolição e a reconstrução do pequeno cômodo se transformam em um ato de bricolagem existencial. Ana, sem experiência e com recursos limitados, improvisa soluções, comete erros e busca ajuda em lugares improváveis, incluindo um breve reencontro com um ex-namorado. Cada martelada e cada cano mal conectado reflete a sua própria tentativa de montar algum sentido a partir dos fragmentos da sua vida adulta.

Lang filma a sua protagonista com uma câmera que não julga, apenas observa com uma curiosidade quase antropológica. A jornada de Ana não é marcada por epifanias estrondosas, mas por uma acumulação de pequenos gestos, conversas truncadas e momentos de silêncio que dizem mais do que qualquer diálogo expositivo. O filme opera em uma frequência particular, capturando a textura do tédio, da indecisão e dos lampejos de conexão genuína que surgem no meio do caos pragmático. Baden Baden, o filme, apresenta uma forma de autodescoberta que não acontece em retiros espirituais ou viagens transformadoras, mas no esforço físico e na resolução de problemas concretos. A conclusão da obra não oferece um fechamento catártico, mas a compreensão de que, por vezes, o único caminho possível é simplesmente continuar o trabalho, seja ele qual for.


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