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Filme: “Inferno” (1980), Dario Argento

Dario Argento, mestre do suspense italiano, entrega uma atmosfera de terror sobrenatural quase tátil com “Inferno”, a segunda peça de sua aclamada trilogia das Mães. A narrativa se desenrola quando Rose Elliot, uma poetisa americana vivendo em Nova York, descobre um livro ancestral intitulado “As Três Mães”, revelando a existência de três irmãs maléficas que…


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Dario Argento, mestre do suspense italiano, entrega uma atmosfera de terror sobrenatural quase tátil com “Inferno”, a segunda peça de sua aclamada trilogia das Mães. A narrativa se desenrola quando Rose Elliot, uma poetisa americana vivendo em Nova York, descobre um livro ancestral intitulado “As Três Mães”, revelando a existência de três irmãs maléficas que governam o mundo a partir de residências secretas em Roma, Freiburg e Nova York. A curiosidade de Rose a arrasta para o centro de uma malevolência antiga, culminando em seu misterioso desaparecimento. É seu irmão, Mark, um estudante de música em Roma, quem, ao receber uma carta alarmante de Rose, se vê compelido a desvendar o enigma de seu sumiço e a verdade por trás do livro.

A busca de Mark o conduz por um intrincado emaranhado de segredos arquitetônicos e conspirações seculares, onde o prosaico e o macabro se entrelaçam. Argento orquestra cada cena com uma maestria visual que é sua assinatura, banhando o filme em paletas de cores vibrantes e contrastantes que transformam ambientes cotidianos em cenários de um pesadelo vívido. A câmera desliza e se move com uma fluidez onírica, criando uma sensação de deslumbramento e pavor que é tanto estético quanto visceral. O som, com sua trilha sonora pulsante e efeitos sonoros perturbadores, amplifica a tensão, transformando cada rangido e sussurro em um presságio de horror iminente. Não há uma lógica cartesiana que domine o desenvolvimento dos eventos; a trama avança impulsionada por uma sucessão de visões perturbadoras e encontros inexplicáveis que desafiam a razão, mergulhando o espectador em uma realidade onde o sobrenatural é uma força atuante e inescapável.

“Inferno” funciona menos como um exercício de narrativa linear e mais como uma incursão sensorial na essência do terror arcaico. A obra explora a noção de que o conhecimento, especialmente o proibido, carrega em si um poder destrutivo, capaz de desvelar dimensões da existência que são melhor deixadas intocadas. É a busca incessante por essas verdades ocultas que precipita a queda dos incautos, revelando que a mais pura forma de apreensão reside naquilo que permanece velado. A experiência de “Inferno” é construída sobre o impacto de suas imagens e sons, com uma preocupação menor em desvendar cada ponto da trama e uma ênfase maior em imergir o público em um estado de desassossego persistente. A tensão é construída através do ritmo deliberado e de explosões de violência estilizada, culminando em um clímax que é tão catártico quanto aterrador, cimentando o lugar do filme como um marco no cinema de horror atmosférico.


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