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Filme: “Personal Shopper” (2016), Olivier Assayas

Maureen, uma jovem americana radicada em Paris, trabalha como personal shopper para Kyra, uma celebridade inatingível e egocêntrica. Consumida pela recente morte de seu irmão gêmeo, Lewis, com quem compartilhava a habilidade mediúnica de se comunicar com espíritos, Maureen navega por um luto complexo e uma busca desesperada por sinais do além. O trabalho, que…


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Maureen, uma jovem americana radicada em Paris, trabalha como personal shopper para Kyra, uma celebridade inatingível e egocêntrica. Consumida pela recente morte de seu irmão gêmeo, Lewis, com quem compartilhava a habilidade mediúnica de se comunicar com espíritos, Maureen navega por um luto complexo e uma busca desesperada por sinais do além. O trabalho, que ela despreza, a aprisiona em um ciclo de compras de luxo e provadores sofisticados, uma vida material que contrasta brutalmente com seu anseio por transcendência.

A narrativa, tecida com maestria por Olivier Assayas, abandona os clichês do terror sobrenatural para explorar a fragilidade da identidade em um mundo hiperconectado. Mensagens enigmáticas começam a surgir em seu celular, assinadas por um remetente desconhecido. A princípio, a protagonista acredita ser uma manifestação do espírito de Lewis, uma tentativa de contato do além. À medida que a comunicação se intensifica, o mistério se aprofunda, expondo as camadas de solidão, desejo e repressão que definem a existência de Maureen. As mensagens, ora sedutoras, ora ameaçadoras, a incitam a questionar sua própria sanidade e a natureza da realidade que a cerca.

A obsessão com o invisível, com aquilo que reside além da percepção ordinária, ecoa o conceito filosófico de “coisa em si” de Kant. Maureen busca desesperadamente acessar uma verdade oculta, uma essência que escapa à representação. No entanto, o filme não se propõe a oferecer certezas fáceis. Em vez disso, ele mergulha na ambiguidade da experiência humana, na incerteza do luto e na busca incessante por sentido em um mundo saturado de imagens e informações. A angústia existencial de Maureen se manifesta tanto na banalidade de seu trabalho quanto nas experiências paranormais que a assombram, revelando a precariedade da fronteira entre o real e o imaginário. O desfecho, aberto a múltiplas interpretações, ressoa como um eco perturbador da incompletude inerente à condição humana, da impossibilidade de preencher o vazio deixado pela perda.


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