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Filme: “TRON: O Legado” (2010), Joseph Kosinski

Sam Flynn, o filho tecnologicamente brilhante e desiludido do visionário digital Kevin Flynn, vive à sombra de um desaparecimento. Vinte anos após seu pai, o gênio por trás da ENCOM, ter se desvanecido, Sam recebe um sinal enigmático de seu antigo fliperama. A curiosidade o arrasta para uma armadilha, digitalizando-o e arremessando-o para dentro de…


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Sam Flynn, o filho tecnologicamente brilhante e desiludido do visionário digital Kevin Flynn, vive à sombra de um desaparecimento. Vinte anos após seu pai, o gênio por trás da ENCOM, ter se desvanecido, Sam recebe um sinal enigmático de seu antigo fliperama. A curiosidade o arrasta para uma armadilha, digitalizando-o e arremessando-o para dentro de um universo cibernético de uma beleza fria e perigosa, a Grade. Este é o mundo que seu pai construiu, uma utopia digital que se tornou uma arena de gladiadores governada por um programa com um rosto familiar. O que começa como uma busca por um pai perdido rapidamente se transforma numa luta pela sobrevivência num sistema onde as regras são letais e o design é tudo.

A Grade, concebida por Joseph Kosinski com uma precisão arquitetônica, é um espetáculo de neon e escuridão, onde cada linha de luz define um espaço funcional e mortal. É aqui que o filme encontra sua força mais pulsante. A experiência audiovisual é o evento principal, uma fusão quase perfeita entre as composições eletrônicas e sinfônicas do Daft Punk e uma estética visual que bebe tanto do original de 1982 quanto de um futurismo elegante e minimalista. As corridas de Light Cycles não são meras sequências de ação; são balés cinéticos de luz e velocidade. A narrativa, centrada na dinâmica entre pai, filho e uma criação que se voltou contra seu criador, serve como a estrutura sobre a qual esta imersão sensorial é construída. O antagonista principal, Clu, é uma duplicata digital do próprio Kevin Flynn, congelado no tempo e obcecado por uma ordem que erradica qualquer imperfeição, incluindo a espontaneidade humana.

Aqui, o filme flerta sutilmente com o conceito de simulacro. Clu não é apenas um programa; é uma cópia que busca suplantar o original, uma representação da perfeição que se tornou mais real, em seu próprio domínio, do que a complexidade orgânica de seu criador. Kevin Flynn, agora um recluso zen dentro de sua própria máquina, medita sobre os pecados da busca pela perfeição, enquanto seu filho, Sam, representa a variável humana imprevisível que o sistema não pode computar. A personagem Quorra, uma ISO, um programa nascido espontaneamente na Grade, introduz a ideia de uma nova forma de vida digital, uma anomalia que Clu deseja exterminar e que Flynn protege como a chave para o futuro.

A jornada de Sam Flynn é menos sobre se tornar um líder e mais sobre compreender a magnitude do legado de seu pai, não nas ações da ENCOM no mundo real, mas nas consequências existenciais de brincar de deus dentro do digital. O roteiro opta por uma abordagem mais focada nos arquétipos e na atmosfera do que em diálogos complexos, deixando que o design de som e a imagem contem a maior parte da história. É um filme que opera na lógica do sentimento e da estética, onde a melancolia de um criador aprisionado e a energia de uma trilha sonora icônica comunicam mais do que qualquer exposição. O resultado é um estudo de caso sobre como a forma pode, por vezes, não apenas complementar, mas ser o próprio conteúdo, oferecendo uma experiência cinematográfica distintamente imersiva, que se fixa na memória mais por suas texturas e sons do que por sua trama.


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