Cultivando arte e cultura insurgentes


No domingo, as dores do sofá

Ao me acomodar no sofá, tenho a incômoda sensação de que o tempo, antes infinito, se torna implacável e passa a correr, sem piedade, em direção ao seu fim

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Toda vez que me vejo diante de um domingo, sinto a mesma angústia de quem busca desesperadamente a luz no fim do túnel e se depara com um beco sem saída. Não se trata de uma aversão à tão aclamada folga semanal, mas sim de um sentimento complexo que, como muitas vezes na vida, oscila entre a expectativa e a realidade, entre a promessa e a desilusão.

O domingo, qual um casulo para a semana que se inicia, me envolve com a sedutora ideia de que, neste dia, posso finalmente realizar tudo o que fui adiando durante os outros seis. Começo, logo cedo, com o café da manhã reforçado, como se fosse uma espécie de rito de passagem para o que eu intitulo de “Projeto Domingo Produtivo”. Com a resolução de ser a pessoa mais eficiente que eu poderia ser, folheio minha lista de tarefas, que, como de costume, cresce a cada semana.

Porém, logo após o segundo gole do café que inicialmente prometia ser o combustível para minha produtividade dominical, percebo que meus planos foram imediatamente sabotados pelo meu próprio sofá. Ele, tão convidativo e tentador, parece sussurrar docemente: “Deixa pra lá, você merece um descanso!”. Como se não bastasse a sedução do aconchego do estofado, a televisão, qual uma sereia moderna, me chama com seu canto hipnotizante.

É nesse momento que o domingo, esse dia de promessas, começa a revelar seu lado sombrio. Ao me acomodar no sofá, tenho a incômoda sensação de que o tempo, antes infinito, se torna implacável e passa a correr, sem piedade, em direção ao seu fim. O controle remoto, que prometia ser uma extensão do meu braço produtivo, transforma-se no instrumento que me escraviza a uma maratona de séries, filmes e programas de televisão que, até então, nunca me interessaram tanto.

No Domingo, uma gaveta de sentimentos é aberta e despejada sobre mim. Sinto a felicidade de me perder em tramas fictícias, o prazer de um sofá confortável e a delícia de petiscos à disposição. Mas, ao mesmo tempo, a ansiedade vai se acumulando, a culpa me faz questionar o que estou fazendo da minha vida e a sombra da segunda-feira se adianta como um espectro, lembrando-me que, inevitavelmente, o fim de semana chegará ao seu fim.

E assim, num ciclo interminável, o Domingo me lembra da fragilidade da nossa relação com o tempo e das armadilhas que nossa mente arma, entre a procrastinação e a busca incessante por algo que talvez não exista: a perfeição dominical. Mas, ao fim do dia, mesmo que eu não tenha conquistado o mundo, pelo menos conquistei uma boa história para contar na segunda-feira. E no próximo Domingo, tudo recomeça, como uma doce cilada de esperança, prontos para sermos vítimas ou heróis do nosso próprio filme.

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Toda vez que me vejo diante de um domingo, sinto a mesma angústia de quem busca desesperadamente a luz no fim do túnel e se depara com um beco sem saída. Não se trata de uma aversão à tão aclamada folga semanal, mas sim de um sentimento complexo que, como muitas vezes na vida, oscila entre a expectativa e a realidade, entre a promessa e a desilusão.

O domingo, qual um casulo para a semana que se inicia, me envolve com a sedutora ideia de que, neste dia, posso finalmente realizar tudo o que fui adiando durante os outros seis. Começo, logo cedo, com o café da manhã reforçado, como se fosse uma espécie de rito de passagem para o que eu intitulo de “Projeto Domingo Produtivo”. Com a resolução de ser a pessoa mais eficiente que eu poderia ser, folheio minha lista de tarefas, que, como de costume, cresce a cada semana.

Porém, logo após o segundo gole do café que inicialmente prometia ser o combustível para minha produtividade dominical, percebo que meus planos foram imediatamente sabotados pelo meu próprio sofá. Ele, tão convidativo e tentador, parece sussurrar docemente: “Deixa pra lá, você merece um descanso!”. Como se não bastasse a sedução do aconchego do estofado, a televisão, qual uma sereia moderna, me chama com seu canto hipnotizante.

É nesse momento que o domingo, esse dia de promessas, começa a revelar seu lado sombrio. Ao me acomodar no sofá, tenho a incômoda sensação de que o tempo, antes infinito, se torna implacável e passa a correr, sem piedade, em direção ao seu fim. O controle remoto, que prometia ser uma extensão do meu braço produtivo, transforma-se no instrumento que me escraviza a uma maratona de séries, filmes e programas de televisão que, até então, nunca me interessaram tanto.

No Domingo, uma gaveta de sentimentos é aberta e despejada sobre mim. Sinto a felicidade de me perder em tramas fictícias, o prazer de um sofá confortável e a delícia de petiscos à disposição. Mas, ao mesmo tempo, a ansiedade vai se acumulando, a culpa me faz questionar o que estou fazendo da minha vida e a sombra da segunda-feira se adianta como um espectro, lembrando-me que, inevitavelmente, o fim de semana chegará ao seu fim.

E assim, num ciclo interminável, o Domingo me lembra da fragilidade da nossa relação com o tempo e das armadilhas que nossa mente arma, entre a procrastinação e a busca incessante por algo que talvez não exista: a perfeição dominical. Mas, ao fim do dia, mesmo que eu não tenha conquistado o mundo, pelo menos conquistei uma boa história para contar na segunda-feira. E no próximo Domingo, tudo recomeça, como uma doce cilada de esperança, prontos para sermos vítimas ou heróis do nosso próprio filme.

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